Análise: Mulher-Maravilha

Depois de três filmes que ficaram bastante aquém das expectativas, a DC apresenta-nos o filme a solo da Mulher-Maravilha, é o melhor filme no DCU. Fazer frente aquilo que a Marvel nos tem oferecido não é fácil. Se falarmos apenas da média no Rotten Tomatoes o único conteúdo a fazer parte do MCU com média negativa é Iron Fist. A DC por outro lado ainda não consegui uma média positiva. Isto até agora pelo menos.

Se não os podes vencer junta-te a eles. Este poderia ser o lema deste filme. Deixando de parte quase todo o aspecto negro e depressivo dos filmes que fazem parte do DCU, Mulher Maravilha começa por nos apresentar uma Themyscira colorida que contrasta com a escura e suja Londres, algo que merece um reparo no filme.

A história não foge nada ao que seria de esperar em termos da origem da personagem, com pequenas alterações apenas. O único o pormenor estranho acaba por ser a localização da ilha, que parece estar perto o suficiente de Londres para se chegar lá numa noite.

Diana, interpretada por Gal Gadot, é a princesa das amazonas, uma raça de imortais que protegem a ilha desde o tempo dos deuses. Depois de Zeus ser traído por um dos seus filhos, Hades consegue derrotar todos os deuses, exilar Hades e com os seus últimos recursos erguer Themyscira como refúgio para as amazonas.

O filme começa com a infância de Diana e do seu crescimento enquanto guerreira amazona, mas a história começa realmente com a chegada de Steve Trevor, interpretado por Chris Pine, é um espião inglês durante a primeira guerra mundial e que tem um acidente de avião perto de Themyscira , o que faz com que descubra a ilha e seja resgatado por Diana. É aqui que o povo das amazonas descobre a guerra, sendo Diana a única a tomar a iniciativa.

A restante história do filme fica para vocês descobrirem, mas envolve uma história alternativa da primeira guerra mundial. A partir da chegada a Londres o filme caminha visualmente para algo bem mais próximo do que podemos encontrar no restante DCU, nunca recuperando as cores do início do filme e na minha opinião em maior parte do filme é algo desnecessário.

O filme só tinha a ganhar com mais cor. A guerra é negra e o filme não faz um bom trabalho a retratar a guerra mais violenta e negra que a humanidade já teve. Este foi um conflito que cinema e videojogos evitaram, principalmente porque não é fácil encontrar uma forma de abordar o horror que foi o combate nas trincheiras e este não faz um bom trabalho. O horror da guerra é abordado, mas não mais do que qualquer outra guerra. Excepto num ou outro pormenores quase ficamos com a ideia de que o filme se passa na segunda guerra mundial.

Mas este é um dos poucos problemas que tenho com o filme. Chris Pine e Gal Gadot são perfeitos nos seus papéis e a história no geral é boa. O equilíbrio entre a ação e história está bem conseguido é apenas alguns elementos narrativos poderiam ser melhores. Entrando no reino do spoiler, o sacrifício de Steve existe apenas para criar impacto e porque foram preguiçosos para pensar em algo diferente.

Com a excepção de algumas cenas ainda um pouco escuras desnecessárias, o filme está brilhantemente filmado e enquadrado. Mesmo as cenas mais escuras não chegam perto da escuridão de algumas cenas de Batman vs Superman ou Homem de Ferro. Não é perfeito e não acho que seja o melhor filme de super-heróis de sempre ou sequer o melhor filme da DC, mas além de ser de longe o melhor no DCU é o primeiro a ser melhor que o seu semelhante em formato animado e isso é bom para todos os fãs do género.

Tiago Roque

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