Análise: Antihero

Utilizando mecânicas de um jogo de tabuleiro, Antihero tem um conceito tão original que não pude deixar de ficar colado durante horas. O jogador pertence a um grupo de ladrões e o cenário é uma cidade onde este tem de se estabelecer e dominar. Não há nada no jogo que não funcionasse num jogo tabletop tradicional a não ser o facto de o tabuleiro se manter desconhecido a ambos os jogadores pelo menos até essas zonas serem exploradas. Não estamos a falar de um comum fog of war, aqui apenas precisamos de explorar um local para depois podermos ver o que se passa lá até ao final do jogo.

A campanha de Antihero é curta e serve apenas para nos dar a conhecer todas as mecânicas do jogo. A história fala das várias personagens e alguns vilões, mas não oferece nada de realmente interessante, sendo muito mais uma experiência útil que nos ajuda a safar melhor quando vamos jogar online pelas primeiras vezes. Além da fraca história, é também uma experiência cheia de picos de dificuldade que não fazem grande sentido. Em alguns cenários vamos ter uma dificuldade enorme mas na tentativa seguinte conseguimos completar todos os objectivos sem dificuldade porque o inimigo posicionou tudo de forma diferente. Este tipo de incoerência prejudica a experiência do modo campanha, especialmente porque o modo fácil é demasiado fácil ao ponto de não se tornar sequer cativante.

Mas a experiência de jogo em si de Antihero é outra história completamente diferente. Cada cenário começa sempre da mesma forma. O jogador começa apenas com o ladrão que escolheu como personagem e o objectivo é conseguir pontos de vitória, algo que irá soar familiar a jogadores de jogos tabletop. Estes pontos de vitória podem normalmente ser conseguidos de qualquer das formas possíveis, com excepção de alguns cenários que nos obrigam a que um ou vários dos pontos de vitória sejam conquistados de uma forma especifica.

Para conseguir estes pontos de vitória, o jogador tem primeiro de começar a dominar algumas partes do mapa. O nosso ladrão precisa de dois recursos preciosos, lanternas e ouro, e tem como habilidade principal, bem, roubar casas. As casas normalmente dão 2 moedas de ouro da primeira vez que as roubamos e apenas uma da segunda, não sendo possível assaltar a mesma casa mais de duas vezes, mas depois temos os edificios especiais e é nesses que está o foco principal do jogo. Estes edificios não podem ser assaltados, mas é obrigatório visitá-los uma vez com o ladrão. Depois disso temos de o popular com a nossa primeira unidade, os órfãos, no entanto alguns edificios têm de ser ocupados por outras unidades, os rufias. Estes edificios são o foco da acção porque a vitória depende deles. Alguns destes edifícios oferecem recompensas directamente como ouro ou lanternas no final de cada turno, mas outros são mais vantajosos ainda oferecendo descontos em unidades ou ainda dando-nos um ponto de vitória quando estiver na ocupação máxima. Ocupação máxima são as três unidades que podem estar em cada edifício e que a qualquer momento pode ser reduzida a zero se o inimigo tiver por exemplo uma gangue a nível máximo. Estes pontos de vitória apenas se mantêm enquanto estas condições se mantiverem e se o jogador perder o controlo de um dos edificios tem de o recuperar para recuperar o ponto.

Antihero tem um conceito bastante interessante, conceito esse que funciona bem melhor em jogos online do que na sua curta campanha. Apesar disso com um conceito tão forte e uma boa execução, não posso deixar de o recomendar.

Tiago Roque

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