Análise: Detective Pikachu

Aqueles que conhecem bem a série de jogos Pokemon sabe que além dos jogos principais e que vendem como pães quentes sempre que sai um novo, a Nintendo tem lançado ao longo dos anos uma considerável lista de spinoffs que nem sempre foram bem recebidos pela critica. A realidade é que a grande maioria carece do polimento e atenção que é dada aos jogos principais, mas aquilo que apenas quem jogou alguns destes spinoffs sabe é que muitos destes jogos são realmente originais e divertidos, apesar de terem muitas arestas por limar. Detective Pikachu acaba por se encaixar perfeitamente nesta descrição, apesar de ter as suas arestas bem mais suaves do que a grande maioria destes spinoffs.

Detective Pikachu é antes demais um jogo de aventura no mais clássico sentido da palavra. O nível de ação do jogo é muito limitado, resumindo-se a algumas sequências com quicktime events onde o jogador tem de carregar na tecla certa na altura certa, mas entes momentos são tão dispares e separados do resto do jogo que quando aparecem são uma verdadeira surpresa e praticamente nos fazem acordar, não porque o resto do jogo é mau, mas porque o ritmo de jogo muda drasticamente.

A história começa com Tim Goodman, o protagonista, a chegar à cidade Ryme com o objectivo de encontrar o seu pai desaparecido. Depois de encontrar o detective Pikachu pela cidade descobre que o Pikachu é o parceiro do seu desaparecido pai e que apenas ele consegue perceber o que o Pikachu diz, algo que irá criar alguns bons momentos de humor e funcionar como um dos principais mistérios do jogo. A duração do jogo é de aproximadamente 12 horas, onde o jogador tem de recolher testimonios e pistas que o ajudem a resolver os vários casos do jogos que apesar de soltos acabam por estar todos relacionados e criam uma história que flui bem.

A resolução dos puzzles em si é um trabalho meticuloso, especialmente porque não temos forma de entregar a resposta antes do tempo, algo que tornaria o jogo demasiado simples e tornando-o ridículo utilizando um guia. Mesmo que o jogador já tenha chegado a uma resposta muito antes de a poder dizer, tem na mesma que percorrer todos os passos, falar com as personagens que o jogo entende que tem de falar e encontrar os itens que o jogo entender que tem de encontrar e por vezes encontrar-se e fazer algo que só pode ser feito num sitio em específico. Isto acaba por tornar o jogo um pouco mais desafiante, uma vez que por vezes não conseguimos avançar mesmo sabendo a resposta porque nos falta um pequeno elemento.

Visualmente Detective Pikachu é bastante agradável, sendo mais realista que a maioria dos jogos Pokemon, apesar de continuar a ser bastante cartoon. Aquilo que me desiludiu um pouco é a ausência de efeito 3D, mas é algo que compreendo perfeitamente, dada a qualidade gráfica do jogo. Estamos a falar de um jogo para a 3DS e é realmente impressionante aquilo que nos consegue apresentar visualmente. Em algumas cutscenes podemos ver pequenas quebras que são indicativas do esforço a que a consola é sujeita e que indica que estamos no auge da consola da Nintendo.

Detective Pikachu não é apenas um jogo passado no universo Pokemon, é um jogo que expande esse universo talvez de uma forma que apenas o anime o tinha feito antes. A interação entre humanos e Pokemons e a forma como a sociedade poderia funcionar num mundo onde os humanos coabitam com animais mais inteligentes que os nossos é explorada de uma forma brilhante aqui. Pokemon baseou-se sempre no combate, uma história relativamente simples e toda uma lista de itens e gadgets que o jogador podia usar, no entanto Detective Pikachu baseia-se em diálogos e intuição, assim como numa série de personagens secundárias a quem as personagens principais recorrem sempre.

Termos duas personagens principais apenas aumenta a exposição deste mundo em que humanos e Pokemon trabalham em conjunto. Enquanto que Tim está encarregue de interrogar as personagens humanas do jogo, Pikachu faz o mesmo com os Pokemon e é realmente interessante a forma como vamos recolhendo elementos do mistério de um lado e do outros, conhecendo pormenores que apenas os Pokemon poderiam saber. Apesar de Tim ser uma personagem quase desprovida de profundidade, Pikachu tem uma personalidade que além de forte é interessante, completando toda o ambiente do jogo com o seu gosto e conhecimento por café, dando uma verdadeira aura a jogo que juntamente ao trabalho de vozes dá ao jogo um sentimento quase film noir que funciona tão bem.

A história de Detective Pikachu promete pouco no inicio, um pai desaparecido e Pokemons a terem atitudes violentas pela cidade, mas a realidade é que aos poucos a história vai-se complicando e tornando-se cada vez mais interessante. Ao fim do terceiro caso pensei que já tivesse percebido tudo e que o resto do jogo iria tornar-se aborrecido, mas a realidade é que a história está muito bem estruturada e apenas nos dá aquilo que precisa para nos deixar a pensar sabermos mais do que realmente sabemos, apenas para a seguir revelar algo interessante.

A Nintendo tem algo de realmente muito especial aqui que apesar de ter alguns problemas nos oferece uma boa história e uma oportunidade de conhecer mais sobre este fantástico mundo. Utilizar uma personagem tão icónica como Pikachu neste jogo é sem duvida uma aposta de risco mas que funciona muito melhor do que eu estava à espera. O resultado final é um jogo que além de ir agradar aos fãs de Pokemon, irá também agradar a fãs do género.

Tiago Roque

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