Análise: Pokémon Let’s Go

Pokémon é uma das sagas mais queridas dos jogadores de todo o mundo. Um fenómeno de popularidade que ultrapassa meios e que é um dos franchises chave da Nintendo, marcando presença em todas as consolas da Nintendo desde o primeiro Game Boy. Apesar disso nunca existiu nenhum jogo considerado um verdadeiro Pokémon em nenhuma consola caseira da Nintendo. Além de alguns spin-offs não houve nenhum lançamento com as mecânicas de combate, colecção, exploração e captura que tanto cativaram os fãs em consolas caseiras. Apesar de a Switch não ser bem uma consola caseira mas sim um híbrido que juntou as duas frentes de operação da Nintendo, este é o primeiro jogo Pokémon que chega a uma TV de sala.

Depois do ridiculamente popular Pokémon Go para smartphone ter batidos tantos records seria de esperar que alguma coisa passa-se para o lado dos jogos “mais a sério” e foi isso que aconteceu. A primeira coisa que irão reparar ao jogar Pokémon Let’s Go é que não é necessário combater com os pokémons para os cançar e depois sim lançar uma pokébola para os capturar. Aqui a mecânica é muito mais próxima do Go e apenas temos de lançar pokébolas directamente e ocasionalmente lançar mais do que uma, ou de outro tipo ou algum tipo de item antes nos casos em que tudo começa a ficar demorado ou o Pokémon em questão aparece marcado com um circulo vermelho e nesse caso é realmente necessário algo mais do que simplesmente lançar uma pokébola.

Pokémon Let’s Go acaba por ser uma porta de entrada para novos fãs à série que começaram por jogar Pokémon Go e no geral combinando isso com um remake do primeiro jogo da série consegue agradar também à grande maioria dos fãs.  Let’s Go  é um remake simplificado dos jogos Pokémon Red e Blue originais ou para ser mais preciso no Pokémon Yellow uma vez que recebe inspiração forte do anime. Tal como Pikachu no anime aqui podemos interagir directamente com o Pokémon da edição que comprarmos.  O jogador pode personalizar a sua roupa, vesti-los em várias roupas para combinar e brincar com eles para melhorar a sua relação com eles.  Além dos Pokémon principais estes novos jogos permitem que o jogador tenha um segundo Pokémon à sua escolha seguindo-o  também. Não podemos interagir directamente com este segundo Pokémon da mesma forma que fazemos com Eevee ou Pikachu mas podemos ainda tirar partida de algumas outras vantagens que advém de melhorar a relação com os Pokémons como por exemplo evitar que sejam envenenados com tanta facilidade.

Apesar de não ser necessário combater para capturar Pokémons existem ainda combates no jogo e estes estão melhores do que nunca. Por um lado, os encontros aleatórios de Pokémon acabaram, esperemos que para sempre, uma vez que o jogo joga-se agora com criaturas a aparecem visualmente no jogo de forma mais ou menos aleatória mas dando ao jogador a hipótese de se esquivar. Esta mudança é principalmente bem vinda nas cavernas onde éramos assombrados por Zubats a aparecerem constantemente. Mesmo quando escolhemos interagir, isso apenas abre uma réplica do Pokémon Go, com as tradicionais batalhas baseadas em turnos reservadas para encontros com outros treinadores. E mesmo esses são menos importantes do que costumavam ser. Outros treinadores foram alterados para serem mais fáceis de evitar, mas não deixa de ser completamente fundamental enfrentar outros treinadores e os lideres dos ginásios.

O mecanismo de captura é uma replica quase intocada do Pokémon Go. A forma como lançamos uma pokébola muda dependendo do jogador e do modo em que estamos a usar a consola, podendo usar o controle de movimentos ou simplesmente carregando num botão. Os controles de movimento são em grande parte intuitivos, levando em conta a direcção e potência do lançamento, mas ocasionalmente alguns Pokémons movem-se demasiado para estes controles serem eficazes. Apesar de não ter problemas com este tipo de controlos a verdade é que preferi basear-me sempre em clicar num botão para lançar e apenas apontar com movimentos. Além de apenas lançar as bolas, há o familiar anel de encolhimento do Pokémon Go para ajudar o jogador a cronometrar a captura, juntamente com uma seleção de bagas que este pode usar para tornar as criaturas mais fáceis de capturar.

O jogo mantém muitos elementos do jogo original de forma  a que tudo permaneça familiar desde a familiar interface pixelizada até aos sprites originais, o mapa do mundo e a história permanecem essencialmente inalterados. Mas nem tudo é retro, e nas batalhas com os Pokémon agora renderizados em 3D, assim como um mundo detalhado e muito mais próximo do sonho dos jogadores irão sem duvida trazer muitas alegrias aos fãs. As animações de combate foram também melhoradas mas é com alguma pena minha que alguns ataques mantém um nível de detalhe zero em que apenas vemos o nosso Pokémon a dar um passo e o adversário a parecer sofrer de uma dor de estômago. Esta revisão gráfica estende-se a todo o mundo do jogo, mas com limitações semelhantes. Apesar de ser um jogo bonito e colorido acredito que a Switch era capaz de um pouco mais e a Nintendo poderia oferecer aos jogadores um jogo um pouco mais detalhado.

Apesar de este ser um jogo muito mais leve do que os fãs mais ferrenhos da saga gostariam, este é o jogo que irá trazer novos jogadores e refrescar no fundo a player base para que o jogo possa crescer mais num futuro próximo. Ao trazer novos jogadores  a Nintendo pode apostar com mais força na série e expandi-la para novas direcções e este é o jogo perfeito para isso. Pode decepcionar alguns jogadores por ser sem duvida uma entrada muito despida de complexidade mas acredito que o efeito nostálgico está presente para agradar precisamente a esses jogadores.  Tudo isto dito, se forem fãs da saga ou simplesmente novos fãs que apenas entraram na saga vindos do Pokémon Go, este é um dos jogos que fazem valer a pena comprar uma Switch.

Tiago Roque

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