Análise: Yakuza Kiwami

Ter visto a série Yakuza a chegar ao PC foi uma das mais agradáveis surpresas que a SEGA me fez nos últimos tempos. Apesar de ser um jogo que joguei na PS2 nunca mais surgiu a oportunidade de pegar em nenhuma das sequelas, não por falta de interesse mas porque sempre fui adiando. Foi com o anuncio do lançamento para Windows e o facto de escrever agora para o ComboCaster que me fez regressar à série e não posso deixar de referir que adorei a prequela que iniciou estes lançamentos, Yakuza 0. Olhando para os motorres de jogo em que são construídos os vários jogos da série foi facil perceber que Yakuza 0 e Yakuza Kiwami seriam uma espécie de teste para ver como a audiência reagia no PC, portanto é com uma satisfação gigante que vejo Kiwami 2 a ser anunciado o que torna muito provável o lançamento dos restantes. Yakuza Kiwami é um remake do jogo original da PS2 e conta com a mesma história mas um avanço tecnológico considerável, o que faz com que o jogo seja quase obrigatório para todos os fãs.

 

Em Yakuza Kiwami, joga-mos como Kazuma Kiryu, um ex-Yakuza que leva a culpa por um assassinato cometido por seu melhor amigo, Akira Nishikiyama. Depois de passar dez anos na prisão, Kiryu é libertado apenas para descobrir que seu ex-melhor amigo é agora um poderoso chefe do crime, e a sua amante, Yumi, está desaparecida há alguns anos. A vida de mafioso de Kiryu não é fácil e Yakuza 0 torna isso muito mais evidente e pessoalmente concordo bastante com a decisão da SEGA em ter lançado a prequela antes dos remakes e assim dar uma história mais coesa e linear aos jogadores do PC. O ritmo da narrativa é estranho, numa abordagem que não funciona propriamente bem, variando de bem estruturado a aleatoriamente desarticulado, com um prólogo em 1995 com flashbacks em camadas em flashbacks e algumas dicas visuais para diferenciar entre os períodos de tempo. Yakuza tem as suas raizes na PS2 e muitos elementos podem parecer estranhos para jogadores atuais, mas por outro lado são um acenar aos jogos da época que eram muito familiares e dão uma certa alma arcade ao jogo.

Graficamente, Yakuza Kiwami recebeu um upgrade considerável do original, parecendo um jogo PS3 da era tardia. As personagens são distintas e icónicas. Apesar de os gráficos pareçam levemente datados, o combate é fenomenal graças especialmente às animações. O estilo arcade que referi em cima tem aqui o seu ponto fundamental, a jogabilidade arcade do jogo. O distrito fictício da luz vermelha de Tóquio, Kamurocho, parece  um lugar real, com as ruas  sempre  cheias de pessoas e cheias de vida. Este é um elemento comum entre todos os jogos da série e que também ajudam a mostrar as semelhanças da série Yakuza com Shenmue. Outro elemento que faz com que o mundo de Yakuza pareça vivo são as histórias paralelas que vão do emocionalmente ao sublimemente ridículo. A minha única queixa é que todas se resumem em andar pela cidade e dar uma sova em alguém.

A série é também conhecida pelas atividades que temos no seu mundo e a variedade em Kiwami não decepciona. Podemos jogar bilhar ou jogar dardos num bar, participar de torneios de corrida de carros RC, jogar bowling ou ir a clubes. Este é outro ponto que ajuda a que Kamurocho pareça uma cidade viva, não uma cidade realista porque está longe disso, mas uma cidade que parece existir mesmo sem o jogador. O nível de autenticidade em Yakuza Kiwami é uma fantástico e não há dobragem em inglês, apenas legendas em inglês, o que pessoalmente é perfeito e ajuda a que o jogo tenha uma personalidade própria.

O sistema de batalha é uma mistura de encontros aleatório e convenções de luta arcade. Uma vez que se entra em uma batalha aleatória, os transeuntes na rua transformam-se em uma multidão furiosa, torcendo alegremente pela luta, o que faz com que pareça quase uma ronda de um jogo de luta. No início, esses encontros são divertidos, oferecendo a oportunidade de aprender como as complexidades do sistema de combate funcionam, mas com o tempo acabamos por tentar evitar as lutas o máximo que podermos para avançar para a história, que quer se queira quer não é juntamente com o mundo o melhor que o jogo tem para oferecer e a razão porque gostei do original.

O sistema de combate em si é muito melhor que o do jogo original, de noite para o dia, e é muito semelhante ao de Yakuza 0. Começamos no primeiro capítulo com todas as habilidades, mas depois de passar dez anos na prisão, as habilidades de luta foram reduzidas a nada mais que três combinações de botões. Para recuperar as habilidades, o jogo conta com dois sistemas. O primeiro é um sistema de experiência tradicional em que se ganha pontos por vencer inimigos ou completar objetivos da história, o outro estilo, Dragon, só pode ser atualizado através de uma das novas mecânicas de Yakuza Kiwami, Majima Everywhere. O gloriosamente bizarro Goro Majima, que é muito mais interessante depois de jogar Yakuza 0 do que apenas no jogo original, irá desafiá-lo aleatoriamente enquanto se estiver a passear pelo mapa e começa a perseguir-nos. Durante a maior parte do jogo, este sistema é divertido, especialmente porque Majima é uma personagem incrivelmente divertida  mas também porque quanto mais vezes se luta contra ele, mais rápido recuperamos as nossas habilidades. No entanto ele continua a aparecer mesmo  depois de não termos nada para aprender e isso apenas chato.

A história é linear sem dar escolha aos jogadores mas acho que como se trata de um jogo com tantas sequelas e a história é uma peça central de tudo, muito dificilmente poderíamos dar grandes escolhas aos jogadores. Se gostam de jogos de luta, rpgs e boa história Yakuza oferece isso com a particularidade de oferecer também um dos melhores mundos que temos para explorar. Kamurocho não é uma gigante cidade como em GTA ou um continente de fantasia, mas é um pequeno distrito criado com um detalhe impressionante que ainda bem que chegou ao PC.

Tiago Roque

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