Análise: Deck of Ashes

Como grande fã de jogos como Magic: The Gathering e Hearthstone por exemplo, sem nunca entrar no mundo altamente competitivo destes jogos, fico sempre contente por conhecer um novo jogo de cartas colacionáveis. Um dos aspectos que gosto nos jogos de cartas é que são normalmente jogos altamente táticos e quando a complexidade permite é super interessante construir um baralho. Além disso é um género que nos coloca realmente a pensar nas opções que temos naquele momento, talvez como nenhum outro género consegue fazer, e quando conseguimos pensar numa forma inteligente de virar o jogo o sentimento é fenomenal.

O mundo de Deck of Ashes é bastante mais negro do que a maioria dos jogos de cartas que tenho jogado, relembrando-me do roguelike Darkest Dungeon. A história do jogo não é propriamente elaborada nesta altura. Basicamente a Caixa de Pandora foi aberta e isso fez com que todo um exército de monstros invadisse o mundo do jogo. Existem uma série de personagens, mas seja ela qual for existe um “Ash Master” que nos recruta e temos como o objectivo de derrotar a própria morte. Cada personagem tem as suas razões para abrir a caixa e derrotar a Morte e no geral apesar de a história principal não me ter fascinado muito, as várias personagens são ricas e os diálogos muito bem escritos. Sendo este um jogo que não me parece ter um orçamento gigante também fiquei surpreendido pela qualidade das vozes do jogo, sejam elas das persogens, do “Ash Master” ou das várias personagens que habitam no acampamento.

 

O jogador começa a campanha com um baralho básico e à medida que avançamos no mapa do jogo vamos trocando “ash” por novas cartas que podemos construir no acampamento. O jogo divide-se em exploração e combate, sendo que o combate é a fase em que realmente utilizamos as cartas e a exploração envolve um mapa com localizações onde podemos explorar recursos, encontrar batalhas, procurar arcas do tesouro, entrar em cavernas e encontrar uma série de outros eventos. Cada movimento que fazemos no mapa do jogo aumenta uma hora no tempo de jogo, o que é importante para alguns aspectos relacionados com os eventos do jogo e gerir buffs e debuffs que vamos tendo no jogo. Outro aspecto em que o tempo importa é no boss final de cada capítulo já que independentemente de como gerirmos o tempo, sabemos que passado X tempo iremos enfrentar o boss, estando nós preparados ou não, por isso é melhor estarmos.

O combate de Deck of Ashes é bastante simples e por turnos. Cada turno dá-nos cinco pontos de mana para gerir, o que normalmente nos dá margem para duas ou três cartas, dependendo do deck que formos construindo como é óbvio. À medida que formos utilizando as cartas elas vão para o que o jogo chama de “Deck of Ashes” e no final de cada turno podemos escolher entre manter o resto das cartas na nossa mão ou enviá-las para o fundo do baralho. No início de cada turno a nossa mão é reposta às 6 de limite, a não ser que o baralho tenha acabado e nesse caso temos uma carta especial que volta a colocar as cartas do “Deck of Ashes” no baralho e o jogador leva dano. No final do combate ganhamos pontos de descanso que podemos utilizar para ganhar os pontos de vida que perdemos ou recuperar cartas que ficaram no “Deck of Ashes”. O sistema pode parecer estranho, mas com as cartas que vamos descobrindo vamos encontrar formas de utilizar o sistema a nosso favor.

A campanha do jogo não é muito longa, mas cada personagem do jogo tem um gameplay próprio, com os seus próprios combos e possibilidades, o que aumenta bastante a campanha de cerca de três horas. O jogo já não se  encontra em Early Access na Steam mas ainda  espero ver mais conteúdo a chegar ao jogo e melhoramentos de estabilidade já que o último patch por exemplo quebrou completamente o meu jogo e deixei de conseguir jogar, mas reinstalar resolveu o problema.

Deck of Ashes tem ainda espaço para crescer mas é já um jogo que irá agradar aos fãs do género e completo o suficiente para saltarem a bordo no seu estado atual.

Tiago Roque

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