Análise: Fort Triumph

X-com tem uma jogabilidade bastante única e todos os jogos da série desde os antigos aos mais recentes tendem a ser realmente bons, por isso é com alegria que vemos um jogo a inspirar-se nesses jogos para criar algo diferente e de inspiração medieval. Fort Triumph é no geral um jogo bastante genérico no que toca a história e design. Nada de errado aí, mas não é a primeira e certamente a última vez em que o mundo civilizado dos humanos é ameaçado por um exército de “inserir uma raça qualquer aqui”. Neste caso é um exército de goblins e o vilão é uma vilã. Não há nada de realmente errado na história e não é má, apenas já a vi demasiadas vezes antes, mas também compreendo que nem todos podem conseguir criar um mundo como o de Warcraft por exemplo.

Visualmente o jogo emprega uma mistura de pixel art e grafismo 3d mais moderno. Ambos são bastante coloridos e no geral seja qual for o estilo aplicado na zona em questão é adorável e o estilo mais low poly funciona realmente bem na minha opinião. O problema do low poly é que é dificil ter identidade dado que é um estilo muito usado, especialmente em mobile, mas que se tornou tão popular que atualmente é realmente dificil distinguir por exemplo o arqueiro de Fort Triumph do arqueiro do jogo A, B ou C. Com isto novamente não quero dizer que exista alguma coisa no jogo com mau aspecto. Mesmo as animações são ótimas. A minha única critica é mesmo a falta de identidade, já que não consegui deixar de sentir que já tinha visto tudo isto antes.

Naquilo que é realmente importante Fort Triumph também não desilude. O jogo divide-se em dois tipo de jogabilidade. Existe uma secção de estratégia e uma secção de combate. Aqui realmente podemos dizer que Fort Triumph apresenta algo realmente novo dado que não me lembro de ver uma implementação exatamente deta forma em outro jogo. Na secção de estratégia temos de navegar pelo mapa para encontrar recursos e artefactos, assim como encontrar elementos para a nossa equipa maravilha de heróis. Felizmente o jogo não nos deixa sentir muito perdidos já que existe sempre um objectivo para nos manter no rumo certo. Na cidade temos também de melhorar o nosso castelo, melhorar os heróis e construir novos edificios. A profundidade desta área da jogabilidade não é muita, no entanto no combate as coisas complicam um pouco.

Logo no tutorial podemos ver qual foi o foco principal do jogo. Fort Triumph é um jogo de grande qualidade neste aspecto e realmente divertido de jogar. Os mapas são pequenos mas estão recheados de oportunidades. O nosso arqueiro pode ficar posicionado à espera do primeiro inimigo que aparecer, o guerreiro pode pontapetear um inimigo contra uma árvore para o deixar aturdido e impedir de atacar e podemos por exemplo empurar uma árvore para cima de um inimigo. Aquilo que mais gostei no combate é a forma como nos deixa desconfortáveis em situações em que na grande maioria dos jogos nos sentimos seguros, mas o combate tem tantas possibilidades que se torna realmente divertido.

Infelizmente o jogo sofre ainda do problema de se tornar repetitivo. O combate do jogo é realmente bom mas nunca varia muito desta fórmula e isso acaba por ir desgastando a experiência, especialmente porque a história também não nos deixa na expectativa do que vai acontecer a seguir. No entanto este é também um jogo recheado de bom humor e isso para alguns jogadores pode ser o suficiente. Se estão à procura de um jogo do género X-com e gostam da temática medieval também não irão encontrar muitos jogos recentes melhores que Fort Triumph.

Tiago Roque

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