Análise: The Dark Eye: Book of Heroes

Dungeons and Dragons é talvez o jogo RPG de papel e caneta que toda a gente conhece e além de ser citado como influência tantas vezes, ter uma grande legião de fãs e ter já uma enormidade de adaptações para videojogos e servir de inspiração para sistemas de combate do género RPG, muitas séries recentes têm popularizado ainda mais D&D como Big Bang Theory ou Stranger Things. Mas Dungeons and Dragons não é o único jogo do género e principalmente na Alemanha existe The Dark Eye, um jogo sobre o qual não sei muito e que para mim parece ser muito semelhante a D&D, mas que é altamente popular nesse país europeu.

Além de popular na Alemanha, The Dark Eye já serviu de inspiração para uma série enorme de jogos, como por exemplo a série Realms of Arkania, Drakensang, Deminicon ou os dois jogos da série Blackguards. Muitos jogadores podem não ter feito a ponte entre nenhum destes jogos porque à primeira vista tudo aqui é mais ou menos genérico, com um mundo de fantasia cheio de goblins, elfos, anões e toda uma série de criaturas que já conhecemos num mundo recheado de cavernas e florestas para explorar. The Dark Eye: Book of Heroes é o mais recente jogo inspirado por The Dark Eye e sinceramente estava à espera de bem melhor e diferente.

The Dark Eye: Book of Heroes parece à primeira vista um RPG old school onde vemos a personagem numa vista de cima e controlamos com o clique do rato e atalhos no teclado. No entanto por muita surpresa minha,  The Dark Eye: Book of Heroes não é sequer bem um RPG. Apesar de parecer em tudo uma espécie de Fallout ou Planescape mais moderno e até tocar em alguns aspectos desses jogos, The Dark Eye: Book of Heroes joga-se mais como um jogo de ação com elementos de RPG do que outra coisa qualquer. Com isto não quero dizer que andamos a martelar teclas para eliminar inimigos com os aspectos RPG a ficarem limitados a um inventário e habilidades, mas a própria progressão no jogo não parece de todo um RPG.

O combate em continua a assemelhar-se a um combate por turnos, apesar de os turnos não serem evidentes. Sempre que atacamos vemos perfeitamente que existe um turno para a nossa equipa e um turno do inimigo e sempre que alguém ataca podemos ver o lançamento de dados associado que determina o sucesso ou insucesso. As mecânicas do jogo são muito datadas e há muitas delas que foram melhoradas em muitos jogos do género e que deviam ter servido de inspiração para que The Dark Eye: Book of Heroes fosse algo mais. O jogo começa com uma criação de personagem bastante decente até e com alguma profundidade, mas assim que começamos o jogo somos lançados para uma taberna onde acedemos ao tutorial e depois escolhemos missões individuais. Este é para mim o pior aspecto do jogo já que esperava uma experiência mais unificada, uma história que unificasse tudo e missões principais relacionadas com ela. Infelizmente aquilo que existe aqui são missões soltas que vão avançando de alguma forma a história da nossa personagem mas que se resolvem de forma muito pouco óbvia no meio das outras missões soltas que vamos cumprindo.

O foco do jogo parece ser o multijogador. No menu onde escolhemos as missões podemos juntar-nos a um grupo ou criar um de forma bastante simples, bastante mais simples do que começar a missão com bots diga-se de passagem. Os bots em si também além de não serem muito inteligentes também não podem ser controlados pelo jogador, o que deixa algumas classes em clara desvantagem. Sem saber exatamente do que esperar do jogo criei um mago e posso dizer que o início não foi fácil já que apenas o jogador parece conseguir puxar inimigos e com uma personagem tão frágil não é fácil conseguimos fugir para o fundo do grupo depois de chamar um inimigo. Eventualmente a personagem torna-se mais forte e isto deixa de ser um problema muito grande e mesmo a jogabilidade que é realmente aborrecida no início vai-se tornando melhor à medida que nos tornamos mais fortes.

Apesar de tudo The Dark Eye: Book of Heroes melhora com o tempo e o próprio jogador vai-se adaptando ao jogo. No entanto nunca atinge um patamar muito alto, é um jogo que tem elementos de RPG mas não tem estrutura disso e nunca se tornou num jogo que eu quisesse realmente estar a jogar em vez de outra coisa qualquer.

Tiago Roque

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