Análise: Clan N

Clan N é um RPG de ação bastante old school e arcade. Chamar-lhe RPG pode até ser um exagero já que está mais perto de um Streets of Rage com ninjas e samurais do que de um RPG. Podemos jogar sozinhos ou com amigos localmente ou no modo multijogador e temos quatro personagens à esoclha. É uma mistura de cultura japonesa e chinesa na época medieval com alguns elementos de fantasia e praticamente sem nenhuma história de valor. Parece ter algo a ver com um vulcão já que passamos várias vezes por um e ele vai passando de estados de uma erupção vulcânica, começando por soltar algum fumo até ter lava a voar e a escorrer.

O jogo conta com uma vista isométrica que por si não tem por si problema nenhum, no entanto alguns elementos da jogabilidade não funcionam na perfeição com esta câmara. Os número de movimentos e botões / combinações é considerável, contando com ataques, saltos, bloqueio, dash, lançamento de projeteis e até habilidades especiais, mas aquilo a que me referia quando falei da câmara é que nem sempre é fácil perceber onde estamos quando saltamos ou utilizamos uma combinação que lança um inimigo ao ar. Isto não é tanto um problema como algo a que nos precisamos de nos habituar, mas tudo o resto na jogabilidade funciona na perfeição e é bastante fluido.

Não há muito em termos de tática no jogo, e eventualmente percebemos que apesar das opções que o jogo nos dá, simplesmente martelar teclas é bastante eficaz já que facilmente conseguimos quebrar a defesa dos inimigos. Existem alguns tipos diferentes de inimigos, com os tradicionais corpo a corpo ou à distância, mas alguns infligem mais dano ou são mais difíceis de acertar. Os inimigos maiores e que podem ser entendidos como bosses são muito fáceis de lidar, já que é fácil perceber o padrão e simplesmente recuar até ele acabar de atacar e derretê-lo de porrada a seguir. De todos os inimigos do jogo, os ninjas são de longe os mais difíceis já que se movem muito, têm muitos ataques diferentes e difíceis de evitar e não morrem facilmente. Felizmente o bloqueio no jogo é bastante eficaz e podemos ficar protegidos até nos sentirmos confiantes.

Visualmente o jogo usa uma Pixel Art agradável que mistura a cultura japonesa e chinesa com alguns cenários interessantes. Infelizmente os cenários vão começando a parecer todos iguais ao final de pouco tempo, já que a variedade não é muita. Em termos técnicos este é um dos poucos jogos que me deu problemas já que o jogo parou algumas vezes e me obrigou a reiniciar. Felizmente o jogo grava automaticamente e não perdi muito progresso, mas nunca é bom quando um jogo para de funcionar duas vezes em pouco tempo. Continuando o tema da apresentação o jogo tem umas músicas decentes mas longe de memoráveis e as quatro personagens do jogo parecem ter um estilo de jogo diferente, mas além das armas e movimentos especiais, todos eles se comportam exatamente da mesma forma, apesar de parecerem muito diferentes.

Algo que não consegui perceber exatamente enquanto joguei Clan N é o sistema de morte. A verdade é que sempre que morri comecei exatamente a jogar a seguir no mesmo sítio como se nada de passa-se. Percebi que tinha duas vidas e que depois da morrer mais uma vez a minha personagem mudava para um fantasma mas logo a seguir o jogo continuou normalmente e não percebi se existia algo mais que me limitasse as vidas ou o jogo simplesmente funciona assim. Outra coisa que permanecia cada vez que eu morria ou trocava de personagem eram as estatísticas. Ocasionalmente um inimigo solta uma gema azul quando morre que pode ser usada para subir de nível. Essas estatísticas incluem força, velocidade, resistência, carga e habilidade especial e podemos trocar estas joias por melhorias em algumas casas que encontramos pelo caminho.

Clan N é um jogo um pouco curto mas divertido que além da campanha tem mini-jogos que o jogador precisa desbloquear durante a campanha. Existem 7 e são bastante variados mas servem essencialmente para preencher o jogo e são relativamente fáceis, independentemente da dificuldade escolhida. Se gostam de experiências old school têm aqui uma boa proposta mas mantenham as vossas expectativas a um nível razoável.

Tiago Roque

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