Análise: Manifold Garden

Manifold Garden é sem duvida alguma um jogo especial. É um jogo que tem basicamente tudo a seu favor, um jogo que é arte e mistura a sua vertente artística com uma jogabilidade funcional e puzzles inteligentes, criando um jogo de aproximadamente quatro horas que nos fica na memória. Penso que já disse isto várias vezes, mas posso repetir. O primeiro Portal é um dos meus jogos favoritos e apesar de reconhecer que o segundo Portal é um jogo melhor em praticamente todos os aspetos, o primeiro é um jogo curto que se consegue acabar em duas horas ou menos e é simplesmente perfeito. Manifold Garden faz-me lembrar o primeiro Portal em muitos aspetos, é curto e inteligente, mas tem também a beleza de um Journey.
Este é um jogo que mexe com a nossa cabeça e que nos faz sentir confusos, um pouco burros mas também verdadeiros génios quando percebemos o que fazer. Manifold Garden começa de forma bastante simples. Andamos por salas e carregamos em botões. Depois temos de começar a controlar a gravidade e por fim pegamos em cubos que temos de colocar no sítio certo. É o controlo da gravidade que é realmente o fator importante aqui. Muitos podem nunca ter jogado algo como Manifold Garden mas quem jogou Gravity Rush para PlayStation Vita ou PlayStation 4 sabe mais ou menos como funciona o sistema, com a diferença de que aqui temos de estar proximos de uma parede ou chão para trocar a gravidade para esse eixo.
Depois de algumas zonas onde aprendemos os sistemas de Manifold Garden o jog realmente abre-se num aparente infinito de torres que são todas iguais aquela onde estamos. Sem chão nem céu o jogo repete-se infinitamente e quando caímos não morremos, mas sim continuamos até cairmos exatamente onde estávamos antes. Um dos primeiros puzzles que nos obriga realmente a pensar de forma diferente é aquele que temos de resolver logo que o mundo de Manifold Garden se abre desta forma. Olhando para a torre adjacente podemos ver um lugar para largar um cubo azul mas nenhuma forma de atravessar. O segredo é cair e ir utilizando o pouco momento que temos para cair até à torre seguinte utilizando o facto de o mundo se repetir à medida que caímos ou subimos.
Manifold Garden é um jogo cauteloso na forma como introduz novas mecânicas e apesar de nos introduzir ao grosso logo no início, aos poucos vai  introzindo mais elementos mas assim que começamos a pensar da forma que Manifold Garden quer o jogo torna-se mais óbvio e graças a tudo o resto entramos num estado sereno já que além dos puzzles, Manifold Garden não tem muito mais a preencher a nossa mente. O jogo é relamente calmo e tem uma banda sonora fantástica que ajuda a manter o jogador concentrado nos puzzles mas também acentua os momentos que tem de acentuar, principalmente adicionando algo bastante atmosférico ao jogo. Manifold Garden não é um jogo onde a narrativa é o foco e muito sinceramente também não é a jogabilidade.
É um jogo com um conceito interessante sim, mas aquilo que mais o distingue é o ambiente. A própria arquitetura do jogo é quase que divina e há algo de realmente mágico no mundo infitito do jogo. Não é um jogo que se esquece de ser um jogo para ser uma experiência multimédia e consegue deixar-nos frustrados em alguns momentos com a dificuldade de alguns puzzles, mas é mais o tempo que nos deixa intrigados e hipnotizados. A apresentação do jogo pode parecer minimalista e no geral é no toca a texturas, mas a arquitetura é complexa.
Manifold Garden é um dos melhores jogos de puzzles que podem encontrar. É tão cativante pelos seus puzzles como pelo estímulo visual e auditivo que é. É também um jogo extremamente justo onde as regras são claras desde muito cedo, cabendo apenas ao cerebro de cada um resolver os seus puzzles e descobrir os seus mistérios. Se são fãs de jogos do género não podem deixar de jogar Manifold Garden e mesmo se não é o vosso forte é um jogo que recomendo vivamente que pelo menos experimentem e se o encontrarem em promoção ou num bundle no futuro não pensem duas vezes, irá valer cada centimo.

Tiago Roque

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