Análise: Superhot: Mind Control Delete

Contam-se pelos dedos os jogos que tentaram fazer algo de realmente diferente com género First Person Shooter. Temos vários temas, jogabilidades diferentes e assim, mas no geral tudo parece uma pequena variação da mesma fórmula. No geral os jogos do género mudaram tão pouco que nos anos a seguir a DOOM que os jogos do género FPS eram normalmente referidos como DOOM Clones. Digo tudo isto porque o primeiro Superhot foi o jogo que mais revolucionou o género nos últimos anos. Superhot é de tal forma diferente da concorrência que muitos consideram-o mais um jogo de puzzles na primeira pessoa do que um FPS e nem sequer posso discurdar muito dessa opinião.

A jogabilidade é o principal responsável pelo sucesso de Superhot mas também o visual minimalista e uma história contada de forma críptica também ajudaram. Para dizer a verdade 99% da jogabilidade é exatamente igual ao que encontramos noutros jogos do género, sendo apenas um pormenor aquele que faz com que tudo pareça diferente. Esse pormenor é o facto de o tempo não avançar a não se que o jogador se esteja a mover, ou pelo menos anda muito muito muito devagar. Muitos jogos antes utilizaram a ideia de um “bullet time”, uma mecânica popularizada por Max Payne mas que chegou a muitos outros como F.E.A.R por exemplo, mas Superhot utiliza algo muito diferente.

Descrevendo tudo isto podemos achar que é essencialmente a mesma coisa mas o resultado está longe de o ser. O resultado é ,como muitos já disseram, uma espécie de puzzle onde temos de encontrar a forma de eliminar os inimigos que vão aparecendo, porque ordem e para onde ir. Nós enquanto jogadores temos basicamente todo o tempo do mundo já que podemos parar para pensar, enquanto que os inimigos reajem praticamente como em qualquer outro jogo. Temos de analizar o movimento dos inimigos e tentar perceber para onde se movem, quando vão disparar, se irão conseguir bloquear um ataque. O facto de termos todo o tempo do mundo não faz com que nos deixemos de acurralar ocasionalmente, isso é algo que acontece na mesma, assim como calcular mal o tempo de carregamento de uma arma por exemplo ou lançar um projetil e calcular mal o tempo que o inimigo demora a chegar à posição para onde lançámos. ovements and attacks a few seconds into the future, and then making sure I’m not there when the bullets arrive.

Nesta altura devem estar certamente a pensar, mas isto é uma análise ao Superhot original ou a Superhot: Mind Control Delete? A realidade é que muito pouco diferencia dos jogos. A verdade é que Superhot: Mind Control Delete começou por ser um DLC para o jogo original de forma a aumentar a sua longevidade. A ideia era criar algo que se podesse jogar horas e horas, em vez da experiência mais contida e desenhada do primeiro jogo e o resultado é Superhot: Mind Control Delete. O sistema agora tem uma série de pequenas zonas que são juntadas de forma processual para criar uma infinitude de níveis diferentes.

Nem tudo é positivo nesta alteração já que agora os inimigos podem aparecer em zonas escondidas por exemplo e por vezes é literalmente impossível evitar ser atingido. Por essa razão o jogo abandonou um pouco a ideia de ser atingido uma vez ser um Game Over, tendo agora o jogador três vidas. Adicionar as três vidas é uma admissão de “não conseguimos implementar este sistema sem falhas” já que em parte resolve o problema das situações impossíveis apenas porque evita termos de repetir um nível por culpa do jogo. Novidade são também os poderes que podemos desbloquear ao longo do jogo, utilizando uma espécie de sistema rogue lite onde podemos escolher duas habilidades da lista de habilidades desbloqueadas.

Se gostaram do primeiro Superhot provavelmente até já têm Superhot: Mind Control Delete já que todos os que compraram o jogo através da Steam por exemplo receberam uma cópia completamente gratuita do jogo. Se compraram apenas uma chave algures pela internet podem não ter tido a mesma sorte. Além disso foram criados novos bundles e foram até oferecidas milhares do cópias do jogo num giveaway gigante. A generosidade dos criadores de Superhot é tão lendária como a jogabilidade do jogo que criaram e Superhot: Mind Control Delete apesar de não revolucionar em nada a formula que criaram, traz consigo conteúdo novo o suficiente para justificar a compra, caso seja necessária.

Tiago Roque

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