Análise: Vampire’s Fall: Origins

Vampire’s Fall: Origins pode parecer um clone de Diablo com um tema gótico, mas além da jogabilidade diferente tem também alguns elementos que o tornam um pouco distinto. Visualmente é um jogo saído do mesmo ADN já que todo o jogo se passa no mesmo mundo deprimente no qual deve ser miserável apenas sobreviver, mas continua a ser um RPG de mundo aberto mas em que a jogabilidade do combate passa de um RPG de ação para um sistema de combate por turnos. Os valores de produção não são sequer comparáveis mas há muita coisa para gostar em Vampire’s Fall: Origins.

O jogo começa com o jogador a acordar nas ruínas de uma cidade acabado de ter sido transformado em vampiro. Como isso não parece ser vida para ninguém a nossa personagem começa uma demanda por  vingança para si mesmo e tentar obter algumas respostas, mas o tempo apenas o vai afundar mais na sua nova identidade de sugador de sangue. Vampire’s Fall: Origins não tem uma grande narrativa, e mesmo a atmosfera do jogo que começa por ser realmente interessante acaba por ficar fragilizada cada vez que os escritores enfiaram uma piada sarcástica pelo meio sem que faça muito sentido.

O mundo de Vampire’s Fall: Origins também não tem a coesão que a maior parte da concorrência apresenta e visualmente, bem, podemos ver que sempre que câmera é puxada para trás os modelos de personagens são primitivos e um pouco feios. Além disso o jogo também não tem muita personalidade, mesmo dentro do contexto do tema gótico. As missões secundárias e mesmo os pontos principais da narrativa são realmente previsiveis e basicamene de “checkbox” para uma história de vampiros embora este jogo se proponha a ser homenagem aos clássicos mas o resultado final é muito genérico.

Apesar de todas as suas falhas há algo que acaba por resultar mais ou menos bem na Switch. As origens de Vampire’s Fall: Origins são de um jogo mobile e isso faz com que  o jogo se concentre em pegar e jogar em pequenos loops narrativos de intervalos de dez ou quinze minutos de jogo, Infelizmente a história geral do jogo acaba por sofrer com isto, criando uma experiência pouco coêsa. O sistema de combate é por outro lado bastante agradável. É totalmente baseado em combate por turnos e funciona principalmente com uma mecânica de energia que começa em zero e vai enchendo conforme atacamos com ataques básicos e que podemos usar para executar ataques ou habilidades mais poderosos. Começamos com muito poucos ataques e habilidades mas com o tempo vamos aumentando o nosso arsenal.

O que diminui esse sistema de combate até certo ponto são os picos de dificuldade que tornam o jogo bem frustrante. Em mobile este jogo é gratuito e há certamente formas a pagar de ultrapassar os saltos de dificuldade mas aqui não. Apesar do mundo de Vampire’s Fall: Origins não ser o mais interessante é pena que as quests secundárias apareçam de forma bastante linear mas as tenhamos de procurar já que não aparecem assinalidas no mapa.

Infelizmente o jogo tem também quantidades parvas de grind. É deliberadamente assim e para muitos jogadores isso será atraente, mas neste jogo gastamos horas a fazer a mesma coisa com um personagem não muito interessante e não ajuda que o jogo em si seja tão banal até na sua escrita sem qualquer conteúdo ou significado.

Não há nada de realmente errado em Vampire’s Fall: Origins mas nada aqui é memorável ou melhor que noutros jogos. É um jogo que apenas recomendaria a quem jogou tudo o que há para jogar do género e procura algo semelhante.

Tiago Roque

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