Análise: Witcheye

Há uma regra não escrita dos jogos de plataformas que é a de ter uma personagem que salta. Muito sinceramente não me acorre praticamente nenhum jogo que fuja a esta regra além de talvez Snake Pass e esse não pode contar já que a personagem é uma cobra. Witcheye é por todas as outras regras um jogo de plataformas 2D onde a personagem não salta e por aí já é bastante original. A premissa também não peca por falta de originalidade já que controlamos uma bruxa que se transforma num olho flutuante, daí  o nome Witcheye. O jogo coloca o jogador a seguir um cavaleiro que lhe roubou uma série de itens em vários curtos níveis.

Witcheye foi lançado no PC, onde fizemos esta análise, mas é um jogo que irá sentir-se muito mais em casa numa plataforma como a Switch. A jogabilidade é realmente interessante e também simples. Basicamente controlamos o olho da bruxa por impulsos, como se fosse um lançamento de uma fisga. Isto não é a coisa mais interessante quando jogada num comando, já que basicamente pressionamos o analógico para onde queremos ir e podemos também pressionar um qualquer botão para parar. Quando jogamos com um gamepad como eu fiz podemos sentir alguma dificuldade na habituação já que o jogo funciona por impulsos e nosso impulso é ficar a carregar no analógico na direção que queremos ir e isso não faz absolutamente nada neste caso. Referi que o jogo se sente em casa numa consola como a Switch porque este esquema de controlo é bem mais intuitivo numa consola com ecrã tátil.

O olho da bruxa ressalta quando bate nas paredes, por isso é desafiante controlar na perfeição esta parte da nossa personagem que controlamos. Atacar os inimigos que vagueiam pelos níveis de Witcheye é realmente intuítivo e mesmo que o jogo não faça um bom trabalho a nos mostrar como jogar Witcheye, apenas nos ensinando as teclas, acho que posso dizer com confiança que a maioria dos jogadores vai perceber que pode atacar um inimigo como se fosse um outro platformer qualquer e que quando uma personagem está a arder não é uma boa altura para atacar e que quando um inimigo tem um escudo o melhor é atacar por trás. O jogo faz um bom trabalho a introduzir os jogadores aos poucos aos diferentes tipos de inimigos do jogo e também consegue ser realmente acessível com muitas vidas e alguma facilidade em ganhar mais de forma normal durante o jogo.

Witcheye pode parecer muito simples, demasiado simples até e a jogabilidade pode ficar aborrecida em pouco tempo, mas felizmente vão sendo introduzidas novas mecânicas e inimigos com bastante regularidade. Já se habituaram a atacar os inimigos simplesmente colidindo com eles? E se estes tivessem escudos. Agora há inimigos que ardem. Agora vamos fazer tudo isto debaixo de água e por aí fora. Com mais inimigos e alguns combates contra bosses os controlos começam a ser confusos e é realmente fácil perder o controlo quando temos de fazer mais do que navegar mapas simples e lidar com um inimigo de cada vez.

 

Witcheye é um jogo bastante original que não marca todas as caixas no que toca a ser uma experiência gratificante, mas que é divertido e original. Talvez não nos deixe com grande sensação de objectivo cumprido quando acabamos um nível, mas tem um grafismo interessante, uma jogabilidade única e funciona perfeitamente como aquele segundo jogo que jogamos nas pausas do jogo principal.

Tiago Roque

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