Análise: Marvel’s Spider-Man: Miles Morales

Quem conhece a personagem do Homem-Aranha e o universo da Marvel no geral sabe que existem várias versões das nossas personagens favoritas, separadas em vários universos. Um dos principais universos é o universo Ultimate que teve muito sucesso e acabou num grande evento que juntou o universo principal da Marvel e o Ultimate. Uma das maiores personagens a saír do universo Ultimate foi Miles Morales, o Homem-Aranha desse universo. Isto serve apenas para explicar de onde surgiu Miles Morales, mas isso é algo que praticamente deve já saber, especialmente depois do filme da Sony, Spider-Man: Into the Spider-Verse que explora o Spiderverse, ou seja os vários “Aranha” da Marvel.

Marvel’s Spider-Man: Miles Morales é essencialmente uma expansão do Marvel’s Spider-Man lançado em 2018 para a PS4. A vasta recriação de Manhattan está de volta aqui e em vez da história que coloca Peter Parker contra o supervilão Senhor Negativo temos Miles Morales a proteger a cidade da Roxxon e do grupo The Underground, enquanto tenta crescer nesta vida de herói. O anúncio de um novo Homem-Aranha com Miles Morales e como jogo de lançamento para a PS5 causou grande hype em junho, mas todos estavam à espera de um verdadeiro jogo novo, completo com novos locais, história e personagens e isso acontece apenas em parte. Qualquer um que tenha jogado o jogo de 2018 vai notar que desde o combate até Manhattan, muitos elementos são exatamente os mesmos. No tanto Marvel’s Spider-Man: Miles Morales é um jogo muito bom que embora mais curto que o jogo principal lançado em 2018 tem acima de tudo uma personagem principal muito interessante.

Peter Parker está fora por algumas semanas e deixa o jovem Miles Morales a proteger Nova York. Cheio de dúvidas e a normal insegurança de um novato juntamente com recepção que recebe dos moradores nas suas primeiras missões, Morales ainda acaba no meio de uma batalha entre a sinistra empresa de energia limpa Roxxon e um violento grupo chamado The Underground, e precisa lutar contra os dois para chegar à verdade do conflito. Além de Miles está também a sua mãe metida no meu da ação, já que Rio, a sua mãe, está a concorrer a um cargo político. Este não é um conto direto do universo cinematográfico da Marvel, é uma história original que tira dicas do maravilhoso filme de animação que referia acima Spider-Man: Into the Spider-Verse, para criar uma história pessoal de um herói com falta de confiança e que tem ainda menos apoio do público de Nova York do que o Homem-Aranha principal. A escrita da história é realmente boa já que os escritores entendem como a personagem pensa e mais importante, o que as tornou tão populares. Não foram os poderes do Homem-Aranha que o tornaram tão popular, mas sim a sua personalidade e o facto de apesar de ser um herói tem ainda que se preocupar com todos os outros problemas normais, como pagar a renda. Mas para Miles, um rapaz negro com uma mãe porto-riquenha, as suas lutas têm diferentes dimensões e apesar de o cenário ser exatamente o mesmo do do Marvel’s Spider-Man anterior, a Insomniac fez com que o jogo refletisse Miles Morales e a sua própria visão de Nova York, com menos milinários a viver em arranha-céus e mais pessoas comuns que tentam pagar as suas contas e ter dinheiro para comer todos os dias.

Tal como em Marvel’s Spider-Man, o jogador segue uma história com algumas reviravoltas interessantes e acima de tudo batalhas espetaculares. A cidade é dividida em setores cheios de missões secundárias, itens colecionáveis ​​e tarefas desafiadoras projetadas para testar as habilidades do jogador. Habilidades essas que vão melhorando à medida que vamos desbloqueando novas habilidades da nossa personagem. Muito do prazer do jogo vem de explorar todos os recantos do jogo, explorar os parques e as ruas da cidade apartir de cima é fenomenal e por vezes parar por momentos no topo de um alto arranha-céus para contemplar o pôr do sol de Manhattan. Visualmente e tecnicamente Marvel’s Spider-Man: Miles Morales obedece a tudo o que eu disse relativamente a Marvel’s Spider-Man: Remasterizado e que podem lêr aqui.

Tal como Peter Parker também Miles Morales tem uma vasta gama de ataques aéreos e combos baseados no lançamento das suas teias, com novas manobras a serem desbloqueadas conforme avançamos na história e completamos outros objetivos presentes no jogo. Mas Miles Morales tem poderes próprios e dois dos poderes aqui são exclusivos de Miles, a explosão de veneno, que lança uma onda de energia nos inimigos e a invisibilidade que dura apenas alguns segundos de cada vez, mas torna a furtividade mais divertida de usar do que no jogo base com o Homem-Aranha Peter Parker. O combate não é de todo muito diferente, muito pelo contrário e também por isso é que é tão bom já que com a quase perfeição era melhor não mexer muito. Em termos de longevidade temos uma história mais curta que podemos terminar em algumas horas, mas responder aos pedidos dos habitantes da cidade e impedir crimes em andamento melhora as habilidades da nossa personagem e adiciona algumas horas de jogo a Marvel’s Spider-Man: Miles Morales, assim como desbloqueia novos fatos e aparelhos e adiciona mais pormenores à história e personagens do jogo.

Spider-Man: Miles Morales é tanto um jogo completo como Uncharted: The Lost Legacy. Tal como esse DLC standalone, é uma aventura complementar que funciona muito bem e não requer que tenham jogar o lançamento principal. Isto também que o jogo tenha um foco mais limitado e em certos aspetos fica melhor por isso. A história não é muito inovadora, mas é cheia de pormenores para os fãs e é genuinamente envolvente. Tudo o resto é basicamente igual, desde os visuais, a cidade e o combate, mas tendo em conta que nada disso era mau, muito pelo contrário, podemos realmente queixar-nos? O conteúdo é muito, apenas a história é curta e pelo preço de um jogo completo podem comprar a edição que contém Marvel’s Spider-Man: Miles Morales e Marvel’s Spider-Man: Remasterizado e aí sim, ficam com conteúdo para dar e vender, capaz de vos ocupar semanas de jogo.

Tiago Roque

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