Análise: Observer: System Redux

Pode um jogo razoável tornar-se um jogo fantástico? Jogos como No Man’s Sky são a prova viva de que sim. Observer: System Redux deu algo que falar ao afirmar-se como o primeiro jogo de “próxima geração” e visualmente consegue impressionar, mas ao contrário da outra história de sucesso que referi, não há praticamente nada que separe Observer: System Redux do Observer que foi lançado antes além do aspeto. Observer não foi de todo um jogo consensual quando foi lançado originalmente. Estava na altura absolutamente repleta de problemas técnicos que tornavam a execução uma tarefa árdua. Felizmente a maioria dos problemas técnicos do jogo foram resolvidos nesta nova e melhorada versão, infelizmente há coisas que não tinham solução.

Se não jogaram o jogo original, basicamente o jogador assume o papel do detetive Daniel Lazarski, enquanto ele tenta localizar o seu filho num distópico subúrbio cyberpunk na Polônia. Aquilo que mais impressiona é a prestação do falecido Rutger Hauer no papel de Lazarski. O papel de Lazarski era o de um Observador, um detetive, com uma interface neural que lhe permite investigar a mente das pessoas. A narrativa central do jogo é interessante, mas é sobretudo Rutger Hauer que eleva a personagem de Daniel Lazarski, dando-lhe nuances que poucos atores seriam capazes.

Um dos maiores problemas técnicos no lançamento original era o seu desempenho, que falhava em atingir os 30 frames por segundo, algo dificil de digerir num jogo praticamente sem ação. Observer: System Redux oferece a experiência oposta a isso, com um desempenho exemplar que é um dos destaques desta versão. É impressionante que um jogo que tinha como principal problema a execução técnica, passe a ter a execução como melhor aspeto e por isso tenho que dar os parabéns aos seus criadores. Infelizmente os problemas do jogo em si acabam por se tornar mais evidentes com as melhorias. O jogo ocorre predominantemente num bloco de apartamentos bastante pobre durante uma quarentena. O sistema de bloqueio foi implementado para combater o Nanophage, uma pandemia que afetou as pessoas com implantes de tecnologia. Se originalmente o conceito já era interessante, apenas se tornou mais pessoal com a situação em que estamos a viver atualmente. O ambiente é atraente, alguns dos puzzles são bem inteligentes e muitas das ideias exploradas são interessantes. O jogo conta ainda com algumas missões secundárias que dão maior detalhe ao mundo do jogo e se enquadram em áreas moralmente cinzentas.

Os avanços de áudio 3D proporcionados pela PS5 permitem que a experiência se tornasse também bem mais rica. A experiência original, embora ocasionalmente perturbadora, falhou em ser assustadora. Agora há alguma profundidade na produção de áudio. Os ambientes são cavernosos, mesmo passando-se em apartamentos, com reverberação imprevisível e os inimigos no nosso encalço oferecem algum grau de ameaça. Infelizmente algumas destas sequências de “ação” parecem retiradas de um jogo diferente e constrastam muito com o resto do jogo. O ritmo da história é também o seu maior problema. Embora todas as novas missões aumentem o tempo de execução para algo em torno de oito horas, a experiência seria muito melhor se não chegasse a isso. O Dream Eater, o dispositivo que usa para entrar na mente das pessoas, é uma ideia interessante mas as sequências que o usam são mais longas do que deveriam ser. Quem lê as minhas análises sabe que prefiro de longe uma experiência mais condensada, feita de bom material, do que algo longo que se tende a arrastar e repetir.

Observer: System Redux é uma revisão impressionante, principalmente a nível técnico, mas que continua a apresentar um jogo com um ritmo pobre. A história é interessante, ou pelo menos apresenta ideias interessantes, mas que se alonga além do desejado. Esta nova versão por muito impressionante que seja apenas agrava esse problema ao tornar o jogo maior. Não há nada de realmente mau aqui, mas o jogo que é ficaria a ganhar em ser mais pequeno, algo difícil de pode não convencer os jogadores que querem mais pelo dinheiro que pagam, mas que neste caso não deixa de ser verdade.

Tiago Roque

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