Análise: Cathedral

Saido da mente de um developer apenas, o suéco Eric Lavesson, Cathedral não começou da forma mais moderna, utilizando um motor como Unreal ou Unity, mas sim o seu próprio motor de jogar. O projeto acabou por demorar sete anos a ver a luz do dia e o resultado final talvez não seja o sucesso imenso e revolucionário que a quantidade de trabalho aqui posta poderia levar a crer, mas é de qualquer forma uma excelente proposta dentro do género Metroidvania de estilo retro e promete ser um dos melhores do género na Nintendo Switch. Catedral começa a carregar muito pouco em termos de história, colocando o jogador na pele de um cavaleiro mudo de armadura vermelha que acorda numa catedral e depois de explorar um pouco um fantasma mostra-lhe uma porta no centro da catedral com cinco pequenos espaços. O fantasma tem uma joia que encaixa num destes e o resto do jogo envolve encontrar os restantes, mas há algumas surpresas pelo meio.

Catedral é um Metroidvania do sentido mais tradicional do género, avançamos aos poucos e por vezes temos de voltar a uma área anterior porque já podemos fazer algo que não conseguíamos antes. É uma fórmula que já foi usada milhares de vezes antes e Cathedral não melhora ou muda a fórmula em praticamente nada de substâncial. Mas não podemos negar a qualidade geral do jogo dentro do género. Uma das razões principais que mantém a aventura tão emocionante é a forma relativamente livre como o jogador se sente. Além de algumas boas sugestões de onde devemos ir em seguida, os objetivos raramente são explicados. Esta falta de guia é algo que irá ser muito bem vindo por alguns jogadores, mas muitos outros vão sentir-se perdidos e neste caso é algo que simplesmente temos de aceitar. Há jogos que tentam coisas diferentes e acabam por captar jogadores menos habituados ao género, mas Cathedral é um jogo indicado apenas para os fãs.

O design de níveis testa a nossa destreza e mistura constantemente as mecânicas do jogo para evitar que os obstáculos fiquem obsoletos. A dificuldade permanece bastante rígida também, não atingindo os níveis de outros jogos do género, mas dificilmente conseguimos evitar morrer em algumas zonas do jogo. Felizmente a morte é tratada torna cada falha um pouco mais impactante do que simplesmente reiniciar um checkpoint. Ao perder sua vida, o nosso cavaleiro é enviado de volta ao último posto de controle e perde dez por cento do ouro. Além disso podemos começar com metade da vida também. Enquanto estamos na cidade podemos gastar o ouro que vamos recolhendo em upgrades e consumíveis que nos dão várias vantagens nas zonas mais complicadas do jogo. As melhorias mais úteis sempre vêm de matar bosses e explorar as zonas mais escondidas do mapa.

Com uma duração entre as quinze a vinte horas e uma apresentação decente Cathedral não impressiona mas é bastante sólido. Os visuais aderem bem às limitações do estilo NES, embora haja algumas liberdades para melhorar a experiência e que não seriam possíveis na clássica consola da Nintendo. A Switch está inundada de Metroidvanias e jogos de plataforma e apesar de sólido Cathedral pode parecer mais um, algo que não posso negar que seja. Cathedral é um jogo de plataformas de ação bem feito e agradável que certamente agradará os fãs do gênero, mas fica-se por aí.

Tiago Roque

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