Análise: Hero-U: Rogue to Redemption

Hero-U: Rogue to Redemption é o sucessor espiritual da série Quest for Glory, uma série jogos num género híbrido de Aventura e RPG e lançada durante a era dourada do género. Infelizmente não conheço a série que viu o seu último lançamento à mais de vinte anos, mas muitos jogadores devem conhecer já que Hero-U: Rogue to Redemption é o resultado de campanhas no Kickstarter portanto acredito que muitos jogadores olham realmente com bons olhos o regresso a este mundo. Hero-U: Rogue to Redemption coloca os jogadores a assumirem o papel de Shawn O’Conner que ao cometer um assalto é lhe proposta a oportunidade por um misterioso benfeitor inscrever-se na Hero University em vez de cumprir uma pena de cadeia. Ao chegar ao Hero-U, Shawn descobre toda uma classe secreta para rogues e em pouco tempo ele está a aventurar-se surrateiramente pelos corredores à noite, espiando, a resolver mistérios e a participar em combates por turnos nas quatro masmorras no castelo Calignian que abriga o campus.

A jogabilidade base de Hero-U: Rogue to Redemption concentra-se quase inteiramente nas atividades escolares da nossa personagem e nos seus horários rígidos. Quase todos os dias do calendário dos cinquenta ou mais dias que compõem a campanha do jogo vamos acordar, assistir a uma pequena aula e onde temos de estar com atenção já que haverá exames, comemos no refeitório e depois passamos as noites com outros seis colegas. À medida que participamos em praticamente qualquer atividade de Hero-U: Rogue to Redemption aumentamos uma das quinze habilidades básicas. É um pouco como Punch Club onde vamos ao ginásio para aumentar a força, aqui é essencialmente a mesma coisa mas temos mais atributos com que nos preocupar, mas tentar gerir o tempo para melhorar estas estatísticas é igualmente importante.

É um pequeno ciclo satisfatório, onde fazendo as nossas tarefas diárias nos tornamos mais fortes e sábios, mas temos de ter atenção ao relógio, garantindo que estamos onde deveriamos estar a qualquer momento para não termos problemas com o mal-humorado administrador do campus, Mortimer Terk. Mas ao mesmo tempo que nos preocupamos com tudo isto temos também de investigar os muitos corredores da universidade à procura de passagens secretas e aceitar empregos a para ganhar dinheiro para comprar um uniforme adequado, feitiços, poções e fortalecer as ligações com os nossos colegas. Numa única jogada facilmente perdemos mais de metade do conteúdo e não posso dizer que tenha explorado sequer metade do que as missões de história fora da narrativa principal têm para oferecer já que estasse resolvem automaticamente, cabendo aos colegas de Shawn aresolver crimes e mistérios por onde não passámos. É muito importante gerir o tempo para tentar participar no máximo de conteúdo possível, mas muito dele irá ter inevitavelmente de ficar para outra sessão.

Também temos de nos certificar de que reservamos algum tempo à noite para visitar a área escura e sombria do porão da universidade. O sucesso no combate mecanicamente simples baseado em turnos aqui depende muito do pré-planeamento e preparação, não sendo possível ir muito longe se não tivermos levantado pesos ou lutado com alguns bonecos de treino. É surpreendentemente fácil ficar em desvantagem mesmo contra um pequeno grupo de ratos e precisamos garantir que aumentamos o nível das estatísticas relacionadas ao combate e habilidades furtivas antes de ir para combate. À medida que o primeiro semestre de Shawn progride, ele também terá desbloqueia habilidades que lhe permitem por exemplo fazer uso de magia. O jogo é rico em possibilidade e gerir o tempo o melhor possível garante que temos um objetivo sempre em mente. Hero-U: Road to Redemption é também uma aventura muito bem escrita e inteligente que recompensa os jogadores observadores com muitos pequenos minijogos, segredos e surpresas que apenas conhecemos ao jogar multiplcas vezes. Com apenas um punhado de personagens, os relacionamentos aqui são satisfatoriamente bem desenvolvidos, dando muito realismo às personagens e tornando possível criar alguma ligação com elas.

O verdadeiro problema de Hero-U: Rogue to Redemption, é a duração do jogo. Para um jogo que pede vários jogos, os cerca de cinquenta dias duram à volta de 20 horas e o ciclo diário de levantar, assistir às aulas, ir para a sala de recreação e assim por diante acaba por tornar muito aborrecido jogar várias vezes. Além disso mesmo repetir as 20 horas é realmente pesado e não há muitos jogadores que olhem para as vinte horas e não pensem que podiam ocupar esse tempo com outro jogo. Mas Hero-U: Rogue to Redemption é um jogo de aventura bastante inteligente e viciante, com muito para descobrir e que recompensa todos os que o jogarem.

Tiago Roque

Leave A Comment