Análise: 8Doors: Arum’s Afterlife Adventure

Um Metroidvania pode vir em muitos formatos e é possível criar muita variedade dentro do género, mas não há como fugir à ideia de que dentro dos jogos 2D do género há muitas semelhanças. A vasta maioria dos Metroidvania 2D jogam-se da mesma forma, com jogabilidade semelhante e com uma progressão identica. Isto faz com que infelizmente tenhamos que dizer que não houve grande evolução dentro do género nos últimos anos e não é com 8Doors: Arum’s Afterlife Adventure que isso vai mudar.

Quem já jogou um jogo do género sabe exatamente o que esperar. Temos um mapa mais ou menos aberto à exploração que no início irá ter zonas bloqueadas ou inacessíveis às quais podemos aceder com o decorrer do jogo, normalmente quando desbloqueamos alguma habilidade. É um género com muito backtracking, ou seja, temos que voltar às mesmas áreas várias vezes, às vezes com essas áreas ligeiramente diferentes e com a nossa personagem diferente e mais forte. É uma fórmula relativamente simples e muito utilizada, o que obriga a que os jogos do género precisem de ser muito bons para se destacarem. A Rootless Studio tentou fazer isso com 8Doors: Arum’s Afterlife Adventure, mas o resultado apesar de razoável, não consegue ser bom o suficiente para se destacar.

O jogador é Arum, uma jovem que descobriu uma maneira de entrar na vida após a morte sem ter de morrer, decidindo ir procurar o seu pai, necessitando passar pelas 8 portas do purgatório. A premissa é interessante, mas o jogo nunca a usa da melhor forma possível. Até visualmente poderia ter sido utilizado um estilo bem diferente. O jogo afasta-se da pixel art que se tem tornado normal no género e ainda bem, mas depois em vez de um estilo mais negro, parecido com um Castlevania por exemplo, que ficaria perfeito, os criadores optaram por um estilo desenhado á mão e baseado no estilo cartoon. Certamente irá ter fãs, mas não me posso considerar um deles. Mesmo aqueles que gostem do estilo irão certamente concordar que a palette de cores monocromática torna tudo aborrecido.

A jogabilidade também não ajuda a tornar o jogo melhor. Não há nada de muito errado, mas além de os controlos não serem muito precisos, o combate é básico. Se a história não nos agarra, visualmente não é apelativo e a jogabilidade é básica, não há muito que possa redimir o jogo. A única coisa que poderia ser considerada inovadora é a possibilidade de trocar entre Arum e Ducroak, uma pequena criatura que nos acompanha. Esta criatura tipo sapo que normalmente anda nos nossos ombros torna-se maior e mais forte quando é chamada e traz alguma variedade ao combate, mas também isto não deixa de nos deixar a ideia de que já fizemos isto antes e melhor.

8Doors: Arum’s Afterlife Adventure não consegue destacar-se da concorrência. Não há nada aqui que só possamos experienciar aqui e mesmo as boas ideias acabam por não ter profundidade suficiente para crescer e tornar-se memoráveis.

Tiago Roque

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