Análise: Atelier Lydie & Suelle Alchemists Mysterious Paintings DX

Tal como tinha referido na última análise a um jogo da série Atelier, foram lançados basicamente quatro novos jogos da serie em muito pouco tempo, embora três sejam relançamentos. Atelier Lydie & Suelle Alchemists Mysterious Paintings DX é o último e apesar de ter sido lançado juntamente com os restantes DX, foi necessário separar um pouco as análises porque os jogos são relativamente grandes e não queria também lançar todas ao mesmo tempo. Atelier Lydie & Suelle: The Alchemists & The Mysterious Paintings DX é a versão melhorada do jogo original lançado em 2018, sendo este o relançamento que talvez tinha menos para melhorar dado ser um jogo relativamente recente.

Atelier Lydie & Suelle: The Alchemists & The Mysterious Paintings DX, segue a história de Lydie e Suelle como o nome indica. A série Atelier costuma ser composta por trilogias que partilham um mundo, cada um com personagens diferentes mas normalmente relacionadas de alguma forma. Também como é habitual as duas são alquimistas e gerem o seu próprio atelier de alquimia, desta vez herdado da falecida mãe das duas. Presente está o pai que ocasionalmente as destrai do objetivo de se tornarem as maiores alquimistas da zona. Este factor competitivo entre os Ateliers é o factor que distingue definitivamente este jogo dos restantes da série e desta trilogia particularmente.

Na cave do pai das raparigas existe um misterioso quadro e este é parte do mistério do jogo. As raparigas descobrem rapidamente que têm a capacidade de entrar nessas pinturas e explorar estes mundos. Essas pinturas tornam-se uma grande parte do mundo mais amplo do jogo, quase fazendo lembrar o clássico da Nintendo, Super Mario 64. O mundo é essencialmente dividido em três partes. A cidade de Merveille, o Castelo e outras áreas, como a Igreja ou a praia. Cada área possui NPCs e lojas para interagir e recolher materiais.

É no Castelo que a maior parte da ação tem lugar já que é aqui que temos os quadros que como já perceberam funcionam essencialmente como portais. No final de contas a exploração aqui é em tudo semelhante à dos jogos anteriores, sendo a ideia dos quadros pouco mais do que um gimmick quando pensamos um pouco. Fora da cidade, existem locais isolados. Estas são áreas temáticas que oferecem oportunidades de encontrar monstros, recolher recursos e adquirir experiência. Também existem muitas missões secundárias na cidade que nos ajudam a ganhar Col e outros recursos vitais. Mas são os quadros o foco. Entrar em cada uma transporta as nossas personagens para outro mundo inteiramente. O tema muda com cada pintura e ajuda a criar cenários realmente diversos sem o jogo se preocupar muito em termos coerência. Esta é a grande vantagem de utilizar a ideia dos quadros e acaba por valer a pena.

O combate é menos importante do que noutros jogos do género e até menos importante do que na maioria dos jogos da série. Não existe verdadeiramente uma urgência ou perigo iminente que nos leve para o combate, sendo mais perto de algo que temos de fazer para ganhar experiência e recolher alguns itens, quase como se fossem caçadas como em Monster Hunter. Ao longo do jogo vamos encontrando aliados que podemos adicionar ao nosso grupo e nos irão ajudar em combate. O combate é por turnos, com uma barra de iniciativa que indica quem irá ter o movimento seguinte.

O grande foco da jogabilidade é novamente na alquimia, algo que não irá surpreender ninguém. A exploração é essencial para recolher materiais e desbloquear mais receitas. Alguns itens apenas podem ser recolhidos a certas horas do dia por exemplo, por isso é realmente importante explorar e fazê-lo a horas de jogo diferentes. Os itens utilizados em combate são também a forma mais eficaz de infligir enormes quantidade de dano, o que torna a alquimia muito importante até para os jogadores mais interessados no combate. A criação de itens depende muito de várias coisas. O nível de habilidade que aumenta quanto mais criamos itens, os ingredientes que utilizamos e a receita. Todas essas informações estão disponíveis ao entrar no caldeirão onde adicionamos o número específico de ingredientes. Também podemos adicionar recursos adicionais aos itens, o que dá uma boa dose de costumização para criar itens perfeitos. Este sistema de alquimia é semelhante aos dos jogos anteriores com uma dimensão de puzzle extra para tornar tudo mais interessante.

Visualmente Atelier Lydie & Suelle Alchemists Mysterious Paintings DX não irá surpreender também, sendo muito bom no seu estilo anime típico de JRPGs. Muitas texturas parecem ter sido retiradas diretamente de outros jogos da série e há uma identidade marcada e um sentimento de união entre os vários jogos que nos faz olhar e reconhecer o jogo. Os jogos da série Atelier costumam ser relativamente calmos e a completar a boa arte do jogo temos uma banda sonora calma que assenta perfeitamente, acrescentando sempre ao momento e nunca prejudicando. A história não é a mais profunda, mas as personagens são detalhadas e as suas interações divertidas. A única critica que possa fazer ao jogo é a quantidade de elementos que temos de aprender em sucessão, já que isso pode realmente afastar novos jogadores.

Atelier Lydie & Suelle Alchemists Mysterious Paintings DX é mais uma entrada sólida na série, construindo em cima de boas bases e não regredindo em praticamente nenhuma área. Se são fãs é praticamente uma compra obrigatória, mas talvez não seja o melhor sítio para começar.

Tiago Roque

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