Análise: Atelier Sophie: The Alchemist of the Mysterious Book DX

A longa série Atelier ocasionalmente passa-me pelas mãos e é realmente interessante ver a qualidade crescente dos lançamentos. Penso que o jogo mais recente a passar por aqui foi o Atelier Ryza 2: Lost Legends & the Secret Fairy e esse é efetivamente mais recente que Atelier Sophie: The Alchemist of the Mysterious Book DX, já que é uma espécie de regra os jogos da série com um DX no fim serem remasters de jogos mais antigos. Toda a série é realmente sólida, sem grandes saltos em termos de qualidade entre jogos, mas também não há decréscimos de qualidade entre lançamentos e isso é o mais importante para a estabilidade do franchise.

Aquilo que principalmente distingue a série Atelier da concorrência é o foco na alquimia. Normalmente cada entrada nova conta a história de uma nova alquimista e os jogos costumam fazer parte de uma trilogia em que uma região é partilhada pelos três jogos, mesmo que tenham protagonistas diferentes. Atelier Sophie: The Alchemist of the Mysterious Book DX segue uma jovem alquimista ainda em treino, Sophie como o nome do jogo indica, que quer seguir os passos da sua falecida avó, uma alquimista conhecida na sua cidade natal. Tendo herdado o ateliê da sua avó, bem como a sua paixão pela alquimia, Sophie tenta ser melhor alquimista e melhor no negócio, já que o ateliêr tem que dar lucro.

Tudo muda quando ela descobre um livro antigo que ganha vida própria. Esse livro conhecido como Plachta, conta que perdeu a memória e não sabe como é essencialmente um livro falante. Escrever receitas restaura fragmentos das memórias de Plachta e portanto Sophie tem como objetivo Plachta e tornar-se a derradeira alquimista. Isto leva-os numa aventura bem mais profunda do que ambos acreditariam. A história geral acaba por tornar-se ligeiramente previsível infelizmente, ficando um pouco abaixo das restantes boas entradas da série, mas não por muito.

A premissa da amnésia é muito utilizada, mas apresentá-la desta forma é realmente interessante e original, mas o jogo nunca vai muito além da superfície e a história de Atelier Sophie: The Alchemist of the Mysterious Book DX nunca atinge marcos impressionantes. Normalmente os jogos da série vivem muito das suas personagens, mas também aqui este jogo fica um pouco aquém daquilo que a série nos habituou. O ritmo do jogo também é um pouco instável, variando muito ao longo da história do jogo. Felizmente a protagonista continua a ser adorável e o resto do elenco consegue apresentar momentos divertidos. Também aparecem várias personagens de outros jogos da série, mas parecem não ser exatamente as mesmas e isso é bastante confuso na minha opinião, mas acredito que os fãs irão gostar de ver as personagens de outros jogos, mesmo que seja apenas a sua cara já que parece ser versões alternativas das mesmas.

A jogabilidade de Atelier Sophie: The Alchemist of the Mysterious Book DX é semelhante à de praticamente todos os jogos da série. É um JRPG por turnos com especial foco na criação de itens, na exploração e na relação entre as personagens e onde a maioria dos problemas podem ser resolvidos com a alquimia de Sophie. Apesar de existir uma história, o foco do jogador é em encontrar mais receitas para criar itens mais poderosos. Por muito fortes que sejam as personagens auxiliares é com itens criados por alquimia que iremos infligir a maior parte do dano. É também para apredender novas receitas que vamos explorar os locais mais longe da zona central de Kirchen Bell. A viagem é feita através de um mapa-múndi com vários nós que serem como zonas individuais.

Um dos elementos que marcou a série durante muito tempo foi a restrição de tempo, algo que já não está presente, ou pelo menos não está presente de forma tão marcante. O tempo continua a fluir dentro do jogo, marcando um ciclo de dia e noite que restringe os inimigos que encontramos e que zonas podemos aceder. O nosso LP tem impacto tanto dentro como fora do combate, afetando o sucesso da recolha e ao reduzir temporariamente as estatísticas do jogador. LP é um problema quase imediatamente, mas principalmente no início. O jogo incentiva o jogador a ficar nas mesmas áreas por um longo tempo, aumentando lentamente as recompensas conforme ficamos na mesma zona muito tempo. Muitas das idéias de receitas de Sophie podem ser um pouco vagas e os jogadores menos habituados à série podem ter alguma dificuldade em avançar.

Como referi acima, as batalhas do jogo são por turnos, com o jogador a controlar todos os elementos do grupo e escolhemos todas as ações de uma vez. Quem já jogou um jogo do género não terá grandes problemas aqui, mas ajuda que o jogo tenha uma linha temporal para nos ajudar a preparar o ataque e a defesa de acordo com quem irá atacar a seguir. Todos os membros do grupo podem adotar uma postura defensiva ou ofensiva a cada turno, com bônus para o ataque ou defesa. Essas ações constroem lentamente um medidor que irá ocasionalmente disparar ações ofensivas e defensivas adicionais. Eventualmente os ataques em cadeia poderosos podem ser realizados às custas de todo o medidor, mas estes podem facilmente virar a maré de encontros mais difíceis.

Mas é a criação de itens o centro de todo o jogo e da série. Os materiais recolhidos no campo podem ser levados de volta ao atelier para serem transformados. Os itens básicos da série permitem ao jogador uma quantidade substancial de liberdade e personalização nas propriedades que aparecem nos itens e equipamentos. A qualidade e as categorias desempenham um fator essencial e o objetivo é criar itens melhores. Desta vez existe uma sub-mecânica de puzzle neste aspeto do jogo. Quando os materiais forem selecionados para qualquer receita, o jogador deve colocá-los dentro de uma grelha tipo puzzle. Cada componente individual tem um determinado tamanho e a ideia é colocá-los na grade com o mínimo de sobreposição possível. Esta componente cria uma nova camada sobre um sistema já muito importante e é realmente uma boa novidade na série.

Visualmente Atelier Sophie: The Alchemist of the Mysterious Book DX não é impressionante. Está claramente melhor do que que quando foi originalmente lançado, mas comparado com outros jogos da série mais recentes não posso dizer que impressione. Não deixa de ser realmente bonito, mas acima de tudo tem uma excelente performance. A música é também bastante standard para quem conhece a série, com poucas músicas memoráveis, com a excepção do boss final.

Atelier Sophie: The Alchemist of the Mysterious Book DX é essencial para os fãs da série. Talvez não seja o melhor sítio para começar se ainda não o forem mas é um jogo realmente bom para quem gosta de JRPGs.

Tiago Roque

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