Análise: Aluna: Sentinel of the Shard

Aluna: Sentinel of the Shard é um RPG desenvolvido pela N-Fusion Interactive e publicado pela Digiart Interactive LLC, lançado recentemente praticamente em todas as plataformas, com a excepção das mais recentes Xbox Series X/S e PlayStation 5 se a memória não me engana. O jogo em si é completamente novo, mas Aluna não é uma nova personagem. Apesar de não achar que podemos descrever Aluna: Sentinel of the Shard como um jogo dentro do universo do jogo Heroes of Newerth, a verdade é que Aluna é uma das personagem do MOBA da S2 Games.

Aluna é que quem carrega todo o jogo, o que seria de esperar dada a importância da personagem para a sua criadora, que além de ter colocado a personagem no HoN ainda antes de ser conhecida, já criou uma série de conteúdos como bandas desenhadas juntamente com o jogo. O jogo passa-se em Espanha no século 16 e o enredo do jogo gira em torno de Aluna, a filha da esquecida deusa da terra, Pachamama. Quando Aluna era criança a sua mãe deu-lhe os fragmentos de cristal mais poderosos que caíram na terra. Os fragmentos contêm o coração da sua mãe e Aluna parte numa jornada para um novo mundo com os fragmentos.

Jogar Aluna: Sentinel of the Shard é realmente simples, com um esquema tradicional do género e com uma habilidade de esquivo no analógico direito. Esquivar com Aluna é aquilo que mais vamos fazer no jogo pelo que é realmente interessante o esquema default escolhido pelos criadores do jogo. Infelizmente a jogabilidade está demasiado presa na repetição. Não há muita variedade no jogo e aquilo que vamos fazer é essencialmente ir de área em área eliminar todos os inimigos. Entre cada área a história do jogo costuma desenvolver-se um pouco, mas as personagens secundárias têm motivações que apesar de fazerem sentido não são muito interessantes.

O esquema de progressão pode ser básico e repetitivo mas existem formas de o tornar interessante. Infelizmente todas as escolhas que os criadores tomaram parecem ter ido no sentido contrário. O número de inimigos por exemplo é de tal forma exagerado que por vezes é simplesmente mais eficaz fugir e correr até à zona seguinte. Talvez os criadores pensassem que tornaria o jogo mais desafiante, mas apenas faz o jogo nada divertido. Além disso acredito realmente que durante a fase de testes este problema foi detetado porque o jogo tem poções de saúde ilimitadas que enchem muito rapidamente. Muitas decisões do jogo parecem simplesmente preguiçosas e além das poções ilimitadas para resolver o problema da dificuldade, o jogo por vezes aumenta o tamanho dos inimigos para criar inimigos diferentes. O modelo é exatamente o mesmo e só posso considerar isto preguiça.

Visualmente Aluna: Sentinel of the Shards não é um jogo muito interessante também. Não é um jogo que impressiona visualmente e mesmo tecnicamente é pobre. Já falei da quantidade de inimigos que o jogo nos coloca pelo caminho, mas o problema é que o motor do jogo não parece gostar muito, já que muitas vezes o jogo fica com uma framerate horrível quando tem muitos inimigos no ecrã. Felizmente a música equilibra um pouco o sector da apresentação, mas não o suficiente para elevar o jogo, especialmente porque as vozes também não são muito boas.

Com cerca de 7 horas de duração, Aluna: Sentinel of the Shard não prolonga muito a sua estadia. Acaba por não ser um jogo que tenha odiado, mas não vejo razão para a sua compra, especialmente por ser de um género que tem muito mais e melhor para oferecer.

Tiago Roque

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