Análise: The Magnificent Trufflepigs

O género “walking simulator” pode não ter uma opinião consensual dentro da comunidade gaming, podemos até discutir se são verdadeiramente jogos, já que a maioria está mais perto de uma experiência interactiva do que de um jogo. Mas aquilo que não podemos negar é que o género tem contado com excelentes propostas e dentro das boas propostas está um jogo por vezes esquecido chamado Everybody’s Gone to the Rapture. The Magnificent Trufflepigs vem da mesma mente brilhante do lider de design Andrew Crawshaw.

O cenário de uma pequena vila repete-se aqui em The Magnificent Trufflepigs, desta vez na pequena vila britânica de Stanning e foca-se em duas personagens, Beth e Adam. The Magnificent Trufflepigs acaba por contar com mais interactividade que a maioria dos jogos do género, com o jogador a partir numa caçada a um brinco desaperecido com a ajuda de um detetor de metais. Do ponto de vista do jogo, isto pouco mais significa do que vasculhar os campos à procura de um tesouro escondido. O jogador tem que usar o detector para cobrir os campos antes que a bateria acabe, usando uma pá e uma espátula para desenterrar aquilo que vai sendo marcado.

Tudo isto faz de The Magnificent Trufflepigs mais “jogo” do que a maioria dos títulos do género e acaba por ser até bastante relaxante. No entanto, o foco principal do jogo é mais sobre o relacionamento entre Adam e Beth e menos sobre mecânicas de jogo. Cada descoberta no campo resulta numa mensagem de texto ou chamada de rádio com Beth, enquanto o jogo é estruturado em dias com intervalos para o almoço. Não há nada de errado com isso e a história e personagens são normalmente o foco destes jogos, mas convém ter isso em mente antes de pensar em comprar o jogo.

Não existe muito que separe os jogos deste género de outros géneros de aventura point-and-click, pelo menos com os mais modernos da TellTale por exemplo. Existe no entanto um enfâse no diálogo aqui em The Magnificent Trufflepigs e a história progride e o mundo é criado e expandido essencialmente através dos diálogos entre as personagens. Algumas das conversas são realmente interessantes e criam um verdadeiro mistério à volta desta vila, misturando mortes, desaparecimentos e até avistamentos de OVNIs. Mas o jogo não se fica por esses temas e pode ser realmente o retrato daquilo que é viver numa pequena vila, onde o conforto se mistura com o sufoco.

Apesar dos pontos positivos, seria de esperar que um jogo tão focado no diálogo tivesse uma escrita ligeiramente melhor. Comparado com o melhor que já vimos do género acaba por ficar uns degraus abaixo nesse departamento, que é também onde se foca mais. Felizmente é um jogo bem conseguido visualmente e em termos das performances de vozes é soberbo e acabam por salvar alguns momentos do jogo que para ser sincero não fazem grande sentido.

The Magnificent Trufflepigs pode não atingir todo o seu potencial, mas tem elementos bem conseguidos. Se são fãs do género é uma boa proposta, mas que podem esperar até uma promoção.

Tiago Roque

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