Análise: Night Book

Night Book é um FMV, ou seja um jogo que envolve essencialmente video real com atores e cenários. Se fosse um filme seria caracterizado como um “found footage horror”. Este género no cinema pode não ser recebido com grande alarido, mas quando é bem feito consegue realmente atenuar a barreira entre ficção e realidade, dando um realismo assustador ao filme. Infelizmente Night Book falharia como filme da mesma forma que falha como jogo.

Aqui juntamos-nos a Loralyn uma rapariga grávida que tenta fazer um turno como intérprete online a partir de casa. Aparentemente o seu pai está possuído e bate a cabeça contra uma parede e o seu noivo está em outro país. O elemento interativo vem de uma série de escolhas binárias que aparecem ao longo do jogo, que tem uma duração de 55 minutos. Tendo em conta a natureza do jogo esse tempo não irá variar muito entre jogadores.

Night Book sofre de muitos problemas, mas o maior é a falta de interactividade. . A narrativa binária baseada em escolhas e aqui é particularmente irritante. Tudo no jogo acontece num portátil e é a partir daqui que descobrimos que o seu namorado adicionou a sua webcam ao sistema de segurança de várias câmeras dos casais para que possamos observar constantemente as suas reações aos acontecimentos assustadores. Muitos aspectos do jogo nem sequer fizeram sentido para mim. Se por exemplo tivéssemos acesso a partir do portátil a várias câmaras da casa por exemplo, o jogo seria mais realista e muito sinceramente mais assustador.

Podemos traçar algumas semelhanças entre Night Book e Her Story, um jogo do mesmo género e bastante conceituado. Em Her Story usamos a função de pesquisa de um programa para passar horas de vídeo ao vivo para descobrir a verdade numa série de entrevistas. Her Story apresenta-nos pedaços de uma história e apesar de conseguirmos perceber um fio condutor, nunca perceber exatamente a história, ficando aberto à nossa interpretação. Night Book dá-nos um ecrã com arquivos, programas e notificações, mas no geral ficamos a ver uma história a acontece. Aquilo que é fascinante em Her Story, aqui é simplesmente aborrecido.

Algumas boas performances não nos podem distrair de que Night Book utiliza todos truques mais usados no género, mas isto apenas faz todo o jogo parecer cliché. Os sustos são mecânicos e esquecíveis. Embora existam 15 finais para descobrir, as próprias opções temporizadas muitas vezes parecem estranhas. As escolhas em si, pelo menos, fazem a diferença. Existe uma espécie de efeito borboleta no jogo e as escolhas realmente afetam a narrativa. Existem escolhas entre a vida e a morte e é este o único factor que me faz desculpar um pouco a pouca duração do jogo.

Por tudo o que listei acima, Night Book não se consegue impôr no género. Como jogo de terror é previsível e como jogo no geral é demasiado limitado na sua interactividade.

Tiago Roque

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