Análises

Análise: Grim Dawn – Fangs of Asterkarn

Passou mais de uma década desde o lançamento do jogo original. A verdade é que Grim Dawn recusa-se a envelhecer. A jogabilidade mantém-se muito atual, rápida e sem os controlos chatos de outros jogos do género. Esta nova expansão funciona como uma carta de amor aos fãs de sempre. Não esquece o que tornou o jogo base um clássico do RPG de acção.

Jogabilidade

O grande destaque desta expansão é a classe Berserker. Controlar esta nova Mastery muda por completo os combates. Tudo graças às habilidades de transmutação. Podemos assumir a forma de lobisomem para dar dano num único alvo. Ou podemos transformar-nos num corvo-humano para espalhar o caos e controlar grupos de inimigos. É um estilo de combate diferente e muito dinâmico. O lado mau é a falta de resistência do Berserker contra veneno. A vida desce tão depressa que muitas vezes nem dá tempo para usar poções.

A liberdade para evoluir a personagem continua a ser o ponto mais forte. Há agora 45 combinações possíveis de Masteries. No entanto, o jogo ainda arrasta alguma rigidez do passado. Continuamos sem conseguir mudar de classe secundária depois de gastar um ponto. Para isso é preciso usar programas externos de edição. O sistema de Devotion também obriga a desfazer constelações numa ordem específica e chata para recuperar pontos.

Para quem já tem personagens no nível máximo, o novo Modo Ascendente é ótimo. Este sistema permite aumentar a dificuldade no menu principal sem perder o progresso da campanha. É o teste ideal para as builds mais fortes. Traz novos desafios e recompensas de alto nível. No lado prático, os controlos de movimento WASD e o inventário para materiais de criação são muito bem-vindos.

Mundo e história

A história principal de Fangs of Asterkarn é muito genérica no início. Demora a arrancar. Só fica interessante na segunda metade. É aí que o folclore sobre a tribo Kurn e o seu passado ganha força. É ótimo para quem gosta de ler os textos espalhados pelo mundo.

O ritmo da campanha principal falha porque empurra o jogador depressa demais pelos cenários. Se não houver vontade de sair do caminho principal e explorar, as novas áreas de neve podem parecer vazias.

Grafismo

O motor de jogo continua muito capaz. A interface foi renovada com um aspeto mais moderno e parecido com Diablo. Mas dá para voltar ao visual clássico. A iluminação HDR ajuda a dar outra vida aos cenários. O jogo corre de forma muito fluida e rápida. Ainda assim, as novas áreas de neve exigem um pouco mais do computador do que o jogo base.

Som

O som cumpre o seu papel sem problemas. Os efeitos dos ataques do Berserker têm a força necessária. Ajudam a entrar no clima dos combates mais caóticos nas montanhas geladas.

Conclusão

Fangs of Asterkarn é uma despedida muito boa e generosa. Funciona muito bem para os veteranos que querem testar os limites das personagens no Modo Ascendente. Para os novos jogadores, é a desculpa ideal para descobrir um grande RPG de acção. Só quem quer uma história forte logo a começar é que pode ficar desiludido com o arranque lento.

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