Kazuma Kaneko é um nome incontornável para quem gosta de RPGs japoneses. O seu traço é angular, frio e tem muito contraste. Esse estilo deu a identidade visual a Shin Megami Tensei. Também deu vida a alguns dos demónios mais marcantes dos videojogos. No papel, Kazuma Kanekos Tsukuyomi devia ser uma festa para celebrar esse trabalho. Na prática, este jogo nasceu nos telemóveis. Chega agora sem compras dentro do jogo, mas traz marcas difíceis de apagar. É um jogo onde as boas ideias na jogabilidade lutam sempre contra a arte feia e o mau equilíbrio.
Jogabilidade
A base do jogo é igual à de Slay the Spire. Controlamos um feiticeiro, que aqui se chama Tsukuyomi. Subimos três andares cheios de combates, eventos e lojas. No fim de cada andar, há um chefe. O combate é feito com cartas e energia, que aqui se chama Odo. A grande diferença é que guardamos as cartas de um turno para o outro. Só voltamos a baralhar e a receber cartas novas quando a mão fica vazia. Isto cria uma dúvida constante. Se jogamos tudo para dar dano rápido, podemos ficar sem defesa no turno a seguir.
A defesa também funciona de forma diferente. Os inimigos atacam as cartas que temos na mão. Se a nossa carta tiver mais defesa do que o ataque do inimigo, não sofremos dano. Mas a carta vai para o lixo de qualquer maneira. É um sistema táctico bom e obriga a pensar no futuro.
O jogo tem cinco personagens para jogar. Cada uma tem o seu estilo. Izayoi foca-se na defesa. Shingetsu prefere fazer combos longos para ganhar energia. Magetsu usa estados alterados e perde vida para atacar. Há muita variedade. Depois temos as cartas de criação. Estas cartas representam deuses fortes. O deus Okami dá estas cartas durante a subida. O problema é que podemos escolher estas cartas logo no início das partidas seguintes. Isto estraga o equilíbrio do jogo. Não precisamos de nos adaptar ao caminho. Acabamos a escolher sempre as mesmas cartas muito fortes. O jogo fica repetitivo depressa.
O equilíbrio dos inimigos também é muito mau. Não há uma subida normal na dificuldade. É fácil encontrar combates normais muito mais difíceis do que os combates contra elites. Os chefes tanto podem ser muito fáceis como podem ser uma parede impossível de passar. No modo The Hashira, que é focado na sorte, isto nota-se ainda mais. Ganhar ou perder depende mais da sorte com os inimigos do que da nossa habilidade.

Mundo e história
A história passa-se numa Tóquio do futuro. Os feiticeiros usam cartas mágicas para chamar demónios, que aqui se chamam Jinma. Eles tentam parar uma invasão numa torre tecnológica chamada THE HASHIRA. A história segue o caminho clássico de Shin Megami Tensei. Há lados muito claros entre a Ordem, o Caos e a Neutralidade. Falar com os demónios a meio do combate é divertido. Ajuda a dar vida ao mundo. Mas a história principal perde-se na segunda metade. Fica muito confusa e só vai fazer sentido para os fãs mais loucos do artista do jogo.
Grafismo
A parte visual é o pior do jogo. O jogo usa o nome de Kazuma Kaneko para se vender. Mas quase toda a arte do jogo foi feita por inteligência artificial. O resultado é muito mau. As cartas e os inimigos têm aquele aspecto de plástico. São brilhantes e genéricos como as imagens de computador. Muitas imagens têm erros no corpo das personagens. As mulheres sofrem muito com esta falta de qualidade. Ver desenhos com estilos diferentes no mesmo ecrã estraga o ambiente. É uma falta de respeito pelo trabalho do artista.

Som
No som, o jogo corre muito melhor. A música de fundo é boa. Os temas de combate dão muita energia. Ficam muito bem neste ambiente de fantasia urbana negra. A música consegue criar a tensão que os desenhos não conseguem dar.
Conclusão
Kazuma Kanekos Tsukuyomi deixa o jogador muito frustrado. Por trás da arte feia, há um jogo de cartas muito divertido. O combate é sólido e as personagens são diferentes. Funciona bem para quem quer um jogo de cartas com evolução e com o ambiente de Shin Megami Tensei. Mas o jogo é difícil de recomendar a quem queria uma homenagem ao trabalho de Kaneko. Também não serve para quem quer um jogo de cartas equilibrado. A arte feita por computador e a dificuldade sem sentido estragam a experiência.

