Psyvariar sempre foi uma série diferente num género já de si muito específico. A SUCCESS encontrou mais sucesso comercial com a fofura de Cotton. Mas esta fórmula é diferente. Ela quer que o jogador corra o risco extremo de roçar em projécteis inimigos. Por isso, continuou a ser um segredo bem guardado dos entusiastas. Agora, a BananaBytes, a Red Art Studio e a Red Art Games juntaram forças. Psyvariar 3 regressa para mostrar que esta mecânica de risco e recompensa ainda tem muito para dar.
Jogabilidade
A grande diferença de Psyvariar 3 frente a outros jogos de tiros tradicionais é a forma como lida com o perigo. Aqui o objectivo não é limpar o ecrã o mais depressa possível. O jogo quer que os inimigos fiquem vivos. Quer que eles fiquem a disparar contra nós. Só assim podemos roçar com a nossa nave nas balas inimigas. Este sistema chama-se Buzz. Ele acumula energia e faz a nave subir de nível. No momento em que subimos de nível, ganhamos uma janela crucial de invulnerabilidade. O segredo da sobrevivência é encadear estes momentos de invencibilidade. Fazemos isso enquanto destruímos tudo à nossa volta.
Para navegar neste caos, a mecânica de rotação da nave é vital. Ao girar a nave, perdemos velocidade de movimento. Em troca, ganhamos um poder de fogo devastador. É um equilíbrio tenso. Podemos activar esta rotação de duas maneiras. Podemos abanar o manípulo analógico ou pressionar um botão traseiro. O primeiro método dá um impulso de velocidade útil para escapar. O botão mantém-nos mais estáveis. É melhor para quando precisamos de focar o dano num ponto fixo.
A oferta de naves é generosa. Há sete opções distintas que incluem a bruxa Cotton. Cada uma altera muito o padrão de tiro. Altera também a reacção ao Buzz e o funcionamento das bombas de limpeza de ecrã. Tantas opções geram alguma confusão inicial. É preciso passar um tempo considerável com cada uma. Só assim percebemos qual se adapta ao nosso estilo de jogo.
O jogo brilha muito na generosidade de modos. O modo Arcade tradicional permite escolher caminhos e dificuldades de forma dinâmica. Essa escolha é feita com base no Buzz acumulado. O Arrange Mode transforma a experiência num jogo de tiros mais tradicional. Nele, a nave já está no poder máximo. Não há tanto foco no Buzz. Para quem quer aprender as regras, o Mission Mode oferece 49 desafios curtos. Eles são óptimos para treinar. O Endless Mode gera níveis aleatórios para testar a nossa resistência.

Mundo e história
A história serve apenas de pano de fundo. É o costume no género e não atrapalha a acção. Os cenários em si são bastante simples. Não têm momentos memoráveis. O verdadeiro destaque da história e dos visuais surge nos confrontos com os bosses. Cada boss funciona como um quebra-cabeças de projécteis. Eles testam ao limite a nossa capacidade de reacção. Testam também a nossa coragem para roçar na morte.
Grafismo
Visualmente, Psyvariar 3 fica um pouco aquém. O uso de modelos tridimensionais resulta num aspecto genérico e antigo. Faz lembrar títulos digitais da era Xbox 360. Os cenários são a pior parte da experiência. São baços e não têm a personalidade artística que encontramos em clássicos da CAVE.
Esta direcção artística cinzenta traz problemas práticos. Em vários momentos torna-se difícil perceber onde está o ponto de colisão da nossa nave. Também é difícil distinguir as balas inimigas no meio do cenário. Felizmente, existem opções de acessibilidade para mudar as cores dos projécteis. Elas melhoram a visibilidade. É óptimo que estas opções existam. Mas é uma pena que sejam necessárias por causa de falhas no design visual básico.

Som
O trabalho de som cumpre o seu papel funcional sem grande brilho. Os efeitos sonoros dão um retorno excelente. Eles informam de forma clara quando os tiros acertam nos alvos. Também avisam quando atingimos o nível seguinte de Buzz. A banda sonora acompanha bem o ritmo rápido. Mas é genérica e pouco memorável. Falha em criar temas que fiquem gravados na memória após desligarmos a consola.
Conclusão
Psyvariar 3 é uma excelente porta de entrada para quem quer descobrir a mecânica única de roçar em projécteis. Oferece muito conteúdo por um preço bastante justo. Funciona muito bem para novatos que queiram aprender os cantos à casa. Eles podem usar os vários modos de treino para isso. Também funciona para veteranos à procura de desafios extremos nas tabelas de liderança online. Não funciona para quem quer uma direcção artística moderna. Não serve para quem procura cenários visualmente deslumbrantes. O jogo conquista pelo seu excelente sistema de risco e recompensa. Consegue isso mesmo com uma apresentação visual que parece parada no tempo.

