Ghetto Zombies: Graffiti Squad entra pelos olhos dentro com muita atitude. Controlamos um grupo de miúdos mutantes. A nossa missão é limpar as ruas de uma cidade no fim do mundo. Fazemos isso com muita cor, humor parvo e muitas armas estranhas. A ideia de juntar tiros contra mortos-vivos e a cultura do graffiti funciona bem no início. Dá ao jogo um ritmo de acção rápida. Faz lembrar os velhos jogos das arcadas.
Jogabilidade
O jogo divide-se entre correr, disparar e pintar as paredes. Para avançar no cenário, temos de fazer várias pinturas pelo mapa. Mas pintar não serve só para ficar bonito. Cada vez que acabamos um graffiti, começa uma espécie de ritual. Esse ritual atrai logo uma horda de zombies com fome. Isto cria um ciclo de tensão muito bom. Preparamos o terreno, pintamos e depois lutamos para não morrer.
As armas que podemos usar são do melhor que o jogo tem. São muito criativas. Esqueçam as pistolas e as caçadeiras normais. Aqui procuramos no lixo para achar armas diferentes. Há lançadores de pastilhas elásticas. Há caçadeiras com cabeça de tubarão. Há até uma vassoura de bruxa. Podemos escolher entre quatro personagens. Cada uma tem o seu estilo e as suas técnicas. Há um rapaz do skate que tem muito carisma. Isto ajuda a mudar a forma como lutamos.
O combate perde força por causa de algumas escolhas. O tempo para carregar algumas armas é muito longo. Isso corta o ritmo rápido quando estamos cercados por muitos inimigos. O sistema de mira automática também falha. Às vezes ignora o que o jogador quer e foca no inimigo mais perto. Por causa disso, fugir e disparar ao mesmo tempo cansa mais do que devia. A gestão das balas também é uma confusão. Há tipos de balas a mais. Ficamos sem balas muitas vezes a meio de uma luta importante.

Mundo e história
A história não se leva a sério. Isso é muito bom. O enredo só serve para nos mandar contra zombies polícias com músculos, cães mutantes e até um Frankenstein em cuecas. O ambiente da cidade tem muitos detalhes da cultura de rua. Tem também detalhes da cultura brasileira. Isto dá um toque muito próprio e diferente a este fim do mundo.
Grafismo
Na parte visual, o trabalho em pixel art é muito bom. Os cenários da cidade partida têm muitos detalhes. As animações quando damos tiros na cabeça dos zombies dão muito prazer. O aspecto das personagens e dos inimigos tem muita força. O ecrã fica sempre cheio de cor e movimento, mas nunca ficamos perdidos.

Som
A música acompanha bem a força visual com temas rápidos. O problema é que cansa um bocado depois de algumas horas de jogo. Os sons dos tiros e das explosões fazem o seu trabalho. Mas falta-lhes força para o combate dar mais pica ao ouvir.
Conclusão
Ghetto Zombies: Graffiti Squad é um jogo de acção directa muito firme. É bom para quem quer jogar sem pensar muito num mundo com estilo. Mas o jogo sofre muito por não ter um modo para jogar com amigos, seja em casa ou na internet. Toda a estrutura de equipa pede para ser jogada com mais pessoas. Funciona muito bem para quem gosta de jogos de tiros vistos de cima, com estilo de rua e humor parvo. Mas pode afastar quem quer combates mais perfeitos e um jogo que dure muito tempo.

