Há jogos que funcionam como um verdadeiro abraço térmico. Desaceleram o ritmo dos nossos pensamentos. Criam uma sensação de tranquilidade sem precisarem de berrar. Não precisam de apresentar sistemas complexos. Unpetrified: Echoes of Nature tenta ser precisamente esse refúgio. Controlamos um golem de pedra que ganha vida. O mundo dele perdeu o equilíbrio natural. A premissa de restaurar a natureza e ajudar a fauna local é simples. Carrega uma sinceridade desarmante.
Jogabilidade
A jogabilidade é de uma simplicidade extrema. A curva de aprendizagem quase não existe. Os controlos são directos. Os quebra-cabeças não procuram bloquear o progresso do jogador. O objectivo é fazer pensar ligeiramente enquanto se relaxa. A dificuldade sobe de tom de forma muito subtil mais à frente. A introdução de uma raposa como companheira de viagem reforça este tom. É um tom de entreajuda e cumplicidade.
O grande problema está na quantidade de falhas técnicas. Estas falhas quebram a harmonia. Durante a experiência do redator, foi possível cair fora do mapa para a água. Ao regressar após o recarregamento do ponto de salvaguarda automática, as peças cruciais para resolver os quebra-cabeças daquela zona desapareceram por completo. A solução passou por reiniciar o jogo por completo. O erro repetiu-se mais tarde. Noutra ocasião, uma árvore derrubada para servir de ponte voltou a erguer-se visualmente. O golem conseguiu atravessar o abismo caminhando pelo ar. Parecia que existia uma ponte fantasma.
Para ajudar na navegação, não existe mapa no ecrã. Podemos enviar uma borboleta guia. A ideia é boa. A execução falha. O insecto indica a direcção geral do objectivo. O problema é que ignora por completo os obstáculos físicos. Isto faz com que o jogador seja guiado contra paredes de rocha ou penhascos. Fica sem perceber como dar a volta. A exploração torna-se menos fluida do que deveria ser.

Mundo e história
A narrativa destaca-se por ser contada sem recurso a palavras. Não há caixas de texto. Tudo se desenvolve através de gestos. Vemos reacções do cenário e pequenas animações. Quando o golem fica triste, os seus olhos mudam para a cor púrpura. Começa a chover. A ligação com a raposa cresce de forma orgânica e silenciosa. É um estilo que vive da atmosfera. Consegue criar momentos genuinamente emotivos sem esforço.
Grafismo
O estilo visual utiliza uma estética de poucos polígonos. Serve perfeitamente o tom calmo do projecto. As cores são suaves. Os cenários convidam à exploração. Surgem alguns soluços visuais. Há flores que mudam subitamente para tons de rosa néon berrantes. Há erva alta que tapa os indicadores visuais da bússola regional. São pequenos pormenores. Acumulam-se ao longo de sessões de jogo mais longas. Quebram a imersão deste mundo.

Som
A sonoplastia é um dos pontos mais bem conseguidos. Cada som de interacção, o sussurro do vento e as pequenas melodias parecem saídos de Kena: Bridge of Spirits. É um trabalho áudio que recompensa a curiosidade. Reforça a tranquilidade da exploração. Nunca transmite qualquer sentimento de urgência ao jogador.
Conclusão
Unpetrified: Echoes of Nature tem a base de um excelente jogo de puzzles relaxante. Funciona muito bem para quem procura uma experiência curta. É óptimo para quem quer algo emotivo e sem pressões mecânicas. Valoriza a atmosfera acima do desafio. Por outro lado, não serve para quem perde facilmente a paciência com problemas técnicos. Não serve para quem não tolera peças de quebra-cabeças que desaparecem ou guias que apontam para paredes de pedra. É uma pequena gema. Precisa urgentemente de actualizações para polir as suas arestas.

