A premissa de gerir postos de controlo e analisar documentos já não é nova. O jogo é inspirado pelo clássico Papers, Please. Security 51 coloca-nos no papel de um guarda de segurança na Área 51. O objectivo é proteger o mundo de invasões alienígenas e infestações cósmicas. No entanto, o jogo afasta-se da concorrência. Ele tenta equilibrar a burocracia diária com missões externas. Estas missões servem para desenvolver tecnologia de defesa.
Jogabilidade
O fluxo de trabalho funciona muito bem. O jogo evita a armadilha de acumular regras infinitas até o ecrã ficar caótico. Em vez disso, limita as tarefas diárias. Há um máximo de quatro exigências. Num dia analisamos anomalias de órgãos com o raio-X. Também confirmamos o tipo de sangue. No dia seguinte, as regras mudam por completo. Fazemos apenas um teste de personalidade e a verificação de identidade. Esta rotação constante de critérios mantém o jogo interessante. E nunca se torna injusta.
A complexidade surge da variedade de ferramentas. Não vem do excesso de dados para analisar ao mesmo tempo. É um equilíbrio difícil de alcançar. Mas aqui resulta bem. O problema surge quando tentamos evoluir estas ferramentas. Os melhoramentos são demasiado caros. Pagar o salário de três dias para aumentar o raio-X em poucos píxeis não faz sentido. Acabamos o jogo sem melhorar nenhum equipamento ao máximo. Isto acontece porque nunca sabemos que ferramenta será precisa no dia seguinte.
Existem também barras de fome e sanidade. Mas estas mecânicas parecem inacabadas. O único resultado de as ignorar é a morte imediata. Isso acontece quando chegam a zero. Além disso, são demasiado fáceis de gerir. Basta comprar o hambúrguer mais barato na loja entre turnos. Custa uma quantia muito pequena. Não há qualquer tensão na gestão destes recursos.

Mundo e história
É na narrativa que o jogo perde grande parte da sua força. Há outros títulos do género onde as decisões pesam na consciência. Aqui não há qualquer impacto moral. Não existem interacções com a família, vizinhos ou espiões. Existe apenas uma personagem real. É o homem que nos contrata. Ele serve apenas de tutorial.
Não há consequências na história pela forma como gerimos o posto. Deixar passar ou prender alguém para experiências não altera o rumo das coisas. O progresso da história depende apenas das missões externas. Depende também das metas de tecnologia que alcançamos. As diferentes variantes de apocalipse funcionam apenas como uma alteração visual simples. O desenrolar do jogo fica igual em qualquer caminho escolhido.
O ritmo da história também sofre com a pressa. Esperava-se uma evolução lenta. Os acontecimentos estranhos deviam surgir aos poucos. Em vez disso, o jogo atira-nos para a bizarrice total logo no segundo dia. A partir daí, a intensidade fica plana. Continua assim até ao final da campanha de quase cinco horas.
Grafismo
O trabalho visual em pixel art é excelente. Os visitantes que controlamos têm um aspecto de horror cósmico muito bem conseguido. São cheios de detalhes. A sala de controlo é agradável à vista. As animações são fluidas. Os pequenos vídeos no início de cada dia mostram o guarda a brincar com objectos no escritório. Isto mostra um cuidado visual que merece destaque.

Som
O ambiente sonoro cumpre o seu papel de forma discreta. Ajuda a criar a atmosfera pesada de uma instalação subterrânea secreta. Mas não tem grandes ideias que fiquem na memória do jogador depois de desligar o ecrã.
Conclusão
Security 51 brilha no desenho das suas tarefas diárias. Também brilha na excelente direcção artística. É muito recomendável para quem procura a satisfação de organizar ficheiros. É bom para analisar dados sem a frustração de uma dificuldade exagerada. No entanto, desaponta quem procura uma história forte. A falta de dilemas morais e de personagens marcantes deixa um vazio. A jogabilidade, por si só, não consegue preencher esse espaço.

