The Last Worlds: Crossed Souls entra-nos pelos olhos com um charme nostálgico. Lembra clássicos como Fable ou Dragon Quest. Ficamos logo com pura curiosidade. O jogo convida à descoberta. Mostra um potencial enorme na forma como nos deixa interagir com o seu mundo. No entanto, essa simpatia inicial esbarra rapidamente numa barreira. Há decisões de design que parecem feitas para testar a nossa paciência.
Jogabilidade
A melhor ideia do jogo é a alternância instantânea entre Matwin e o seu companheiro Lupio. Controlamos um e, com um simples toque, passamos para o outro. Isto dá uma dinâmica excelente à exploração. Um foca-se na força física. O outro foca-se na agilidade. É um sistema fluído. Funciona muito bem quando estamos a resolver puzzles do cenário para abrir baús. Também funciona bem a apanhar recursos. Essa acção até nos dá pontos de experiência.
O problema é quando o combate começa. A dificuldade sobe de forma rápida e sem qualquer justificação. Os inimigos batem com demasiada força. Eles aparecem em grupos difíceis de gerir. Para piorar, a vida não regenera fora dos combates. Não parece haver forma de criar itens de cura nesta demo. Se falharmos, o castigo é pesado. Há uma falta de gravação automática antes dos bosses. Isso obriga-nos a repetir secções longas e aborrecidas. Tudo porque não gravámos à mão a cada passo.
Os menus e os controlos também precisam de muito trabalho. Não há uma barra de atalhos rápidos. Para mudar de uma arma para uma ferramenta de recolha, temos de abrir o menu do inventário a toda a hora. Este processo corta o ritmo do jogo. Além disso, as ferramentas duram muito pouco tempo. O ciclo de recolher recursos e fazer novas picaretas ou machados cansa muito antes do tempo.

Mundo e história
O planeta alienígena Ness-444 é o verdadeiro motor da aventura. Explorar este mundo é um prazer real. Os biomas são ricos. Estão cheios de ruínas misteriosas. Essas ruínas dão vontade de ver o que está mais à frente. Há uma sensação constante de descoberta. Ela empurra-nos para fora do caminho principal. O mapa dá prémios a essa curiosidade com segredos bem escondidos.
Grafismo
Na parte visual, o jogo é muito bonito. A direcção artística brilha na criação de cenários coloridos e cheios de personalidade. Os biomas têm uma identidade visual forte. Isso ajuda a esquecer, por momentos, as partes chatas do jogo.

Som
A banda sonora acompanha a exploração de forma boa. Ajuda a criar o tom de fantasia e mistério que envolve o planeta Ness-444.
Conclusão
The Last Worlds: Crossed Souls tem uma excelente base na exploração. A troca de personagens também funciona muito bem. Mas a experiência de agora é prejudicada por sistemas muito velhos. Funciona para quem procura um mundo bonito para explorar. É preciso ter paciência para lidar com picos de dificuldade injustos. Não vai funcionar para quem quer combates equilibrados e menus modernos. Há aqui potencial. Mas a versão final precisa de mudar o combate e dar mais facilidades ao jogador.

