AstroScaper atira-nos para a órbita de planetas que não conhecemos. A tarefa é clara. Temos de tirar recursos do chão e sobreviver a vagas de inimigos. No início, a ideia parece boa. Misturar a gestão de uma estação no espaço com a defesa de território parece o plano ideal para quem gosta de estratégia. O problema é que o jogo demora muito tempo a arrancar. O jogo perde as forças muito antes de mostrar tudo o que tem.
Jogabilidade
Tirar minério e montar defesas é o que manda em cada partida. Começamos com uma estrutura simples. Temos de ligar geradores. Temos de pôr brocas nos asteroides. Temos de fazer caminhos para a energia ir até às torres de defesa. Esta rede de ligações é a parte mais gira. Exige pensar bem para não taparmos os nossos próprios caminhos quando queremos crescer.
O problema aparece quando vemos que tudo se repete sem mudar quase nada. Ficamos à espera que os recursos subam. Construímos mais uma torre igual. Depois ficamos à espera da próxima vaga de inimigos. O jogo anda muito devagar. Passamos demasiado tempo a olhar para o ecrã. Ficamos só à espera que as barras de energia fiquem cheias para podermos fazer a acção seguinte.
As vagas de inimigos também não ajudam a quebrar a seca. Os ataques são fáceis de adivinhar. Não há grande necessidade de mudar de planos a meio do caminho. Só temos de dar mais força à linha de tiro que já tínhamos feito logo no início. O jogo não mexe. Isto devia ser um desafio com tensão, mas passa a ser só um trabalho de rotina e de limpeza.

Mundo e história
O cenário mostra zonas do espaço que estão isoladas. Não há uma história forte. Não há personagens para criar ligação. O contexto só serve para explicar porque estamos ali. Somos um engenheiro sozinho. Tentamos ganhar dinheiro com minas em sítios perigosos.
Grafismo
Na parte visual, o jogo escolhe um estilo simples que serve para trabalhar. Os menus são limpos. As estruturas da base são fáceis de ver e de separar umas das outras. Isso ajuda quando temos de escolher depressa. Mesmo assim, os cenários no espaço falham porque são muito vulgares. O fundo preto com algumas estrelas e planetas longe fica aborrecido ao fim de algumas horas.

Som
A música escolhe tons calmos e espaciais. Combina bem com o vazio do espaço. Os sons fazem o seu trabalho nas explosões e nos avisos de ataque. Mas não há nada aqui que salte à vista. Nada muda a experiência de forma importante.
Conclusão
AstroScaper corre bem para quem quer um jogo de estratégia muito calmo e sem pressas. É bom para quem quer focar tudo no desenho da rede de energia. Não serve para quem quer acção a toda a hora. Não serve para quem quer regras profundas de defesa de torres. Há pouca variedade nas vagas de inimigos. O ritmo é lento demais. Tudo isto dita o fim do jogo: é uma ideia com valor que se perde porque faz sempre o mesmo.

