Análises

Análise: Steins;Gate Re:Boot

Entrar em Steins;Gate Re:Boot é perceber de imediato como uma excelente história consegue sobreviver a qualquer mudança geracional. O clássico dos romances visuais está de volta. Não traz apenas uma nova camada de tinta. Traz a confirmação de que a escrita inteligente e o desenvolvimento de personagens continuam a ser o pilar mais forte desta experiência de ficção científica.

Mundo e história

A transição de tom nesta narrativa é soberba. Começamos num registo leve. Okabe Rintarou vive no seu próprio mundo de conspirações delirantes. Rimos com as interacções absurdas no laboratório de Akihabara. A ciência das viagens no tempo é explicada de forma acessível mas sem perder a complexidade. Tudo parece uma brincadeira de estudantes com microondas e bananas.

Depois a realidade bate à porta. A segunda metade do jogo transforma-se num pesadelo dramático e sufocante. O contraste é brutal precisamente porque passámos horas a ganhar carinho àquelas personagens. Cada decisão ganha um peso esmagador. Os dilemas morais não são fáceis. O jogo trata temas complexos com um respeito tremendo. Um exemplo claro é a abordagem sensível e afável à personagem de Luka Urushibara.

Os múltiplos finais não são meros desvios no caminho. Cada rota oferece uma conclusão que se sente merecida e única. A qualidade da escrita segura o jogador até ao último segundo de cada ramificação.

Jogabilidade

A interacção principal faz-se através do telemóvel. Respondemos a mensagens e atendemos chamadas. São estas acções simples que decidem o rumo da história. É um sistema elegante. No entanto a interface e as opções técnicas deste Re:Boot mereciam mais atenção.

O maior problema do jogo está na falta de polimento das opções de controlo. As definições de som e a velocidade do texto são desajeitadas. Não têm a sensibilidade que se exige hoje em dia. Se usarmos o modo de reprodução automática as mensagens de telemóvel passam a correr. O texto desaparece num piscar de olhos. Isto obriga o jogador a parar e a abrir o menu manualmente para ler o que perdeu.

A funcionalidade de avanço rápido também parou no tempo. Não há uma opção para saltar directamente para a próxima escolha ou cena inédita. Temos de ver tudo a passar em alta velocidade no ecrã. Para piorar a situação o avanço rápido pára sempre que há uma interacção com o telemóvel. Mesmo quando essa interacção não tem qualquer relevância para a história. O ritmo sai prejudicado.

Grafismo

Visualmente o jogo é um espanto. O novo estilo gráfico respeita a essência original mas dá-lhe uma lufada de ar fresco. A grande novidade é o sistema E-mote. As ilustrações bidimensionais ganham vida através de animações subtis. Ver as emoções a passar de forma fluida pelo rosto das personagens nos momentos de maior tensão faz toda a diferença.

Som

O trabalho de voz japonês continua a ser brilhante. O elenco original regressou e entrega interpretações fabulosas. Mamoru Miyano brilha no papel de Okabe. A sua capacidade de passar do delírio cómico para o desespero absoluto é assustadora. A banda sonora de Takeshi Abo acompanha esta viagem na perfeição. Mistura faixas electrónicas com melodias tradicionais que marcam o compasso da tragédia e do mistério.

Conclusão

Steins;Gate Re:Boot é a melhor forma de entrar neste clássico moderno. Funciona muito bem para quem nunca experienciou a história de Okabe e Kurisu. Também serve os veteranos que queiram reviver a aventura com uma apresentação visual superior. Não funciona para quem procura acção imediata ou não tem paciência para menus de configuração antiquados. É uma obra essencial que compensa qualquer falha técnica com uma das melhores narrativas de ficção científica alguma vez escritas.

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