Análises

Análise: Fight School Simulator

A ideia de erguer uma escola de artes marciais do zero é boa. Gerir o treino dos alunos também tem a sua piada. Abrir o espaço, arranjar equipamento e limpar o chão devia ser bom. Ver os alunos a melhorar até vencerem torneios locais devia ser o motor de tudo. Mas o resultado fica pelas intenções. O jogo tropeça numa execução que parece ter ficado pelo caminho.

Jogabilidade

O ciclo de gestão obriga a tratar da limpeza e das reparações. Também exige publicidade e comprar novos aparelhos de treino. É preciso arranjar alunos para haver receita. Só assim se consegue aumentar a escola. Dá para jogar em modo normal ou realista. No modo realista, a saúde dos alunos pede mais atenção. Há mesmo o risco de lesões graves. E até podem morrer durante os combates.

Ver os alunos a ganhar nos torneios contra outras escolas da cidade dá alguma satisfação. É uma sensação passageira. O próprio jogador também pode lutar. Os controlos são simples. Dá para aprender novos golpes com o mestre. Depois dá para ensinar esses golpes na escola.

Há ainda tentativas de pôr elementos de RPG na primeira pessoa. Dá para falar com pessoas na rua ou arranjar pancadaria. O problema é que nada disto importa. Ganhar ou perder uma luta na rua não muda nada. As personagens continuam a falar a seguir. Falam como se nada tivesse acontecido. O jogo perde o peso todo por causa das animações. As animações são muito duras e não têm movimento nenhum.

Mundo e história

Tudo começa com uma carta. O pai morreu e o tio deixou umas poupanças curtas. A ideia é honrar o legado dele no kung fu. Mas o cenário é uma confusão cultural. Não tem sentido nenhum. O jogo junta coisas chinesas e japonesas. Junta tudo sem critério nenhum.

Trata o Kung Fu, que é chinês, e palavras como dojo, que é japonesa, como se fossem a mesma coisa. Pelo meio aparecem ninjas. Há prédios e roupas de vários sítios da Ásia. E os nomes das personagens misturam chinês, japonês e inglês. O jogo tenta ter um ambiente tradicional. Mas esta mistura só mostra que não houve cuidado nenhum.

Grafismo

Os cenários até parecem aceitáveis ao longe. Mas as personagens têm modelos muito velhos. De perto o aspeto é ainda pior. O grande problema do jogo está na inteligência artificial gerativa. Usaram isto em todo o lado para fazer quadros nas paredes, desenhos e menus.

A falta de retoques feitos à mão nota-se muito. O resultado mostra os erros normais desta tecnologia. Vêm-se mãos tortas e erros visuais por todo o lado. Esta escolha não melhora o jogo. Só faz com que o aspeto visual fique feio de verdade.

Som

A voz dos atores é fraca. Não tem emoção nenhuma nem garra. A música tenta dar um ar oriental com sons de orquestra chinesa. Mas tem o mesmo problema da parte visual. Foi toda feita por inteligência artificial. O som é banal e não tem vida nenhuma.

Conclusão

O Fight School Simulator podia ser uma opção diferente nos jogos de gestão. Mas é só mais um jogo incompleto e banal. Serve no máximo para quem quer uma gestão muito simples. E para quem não se importa com a falta de qualidade. Não serve para quem quer bom acabamento, bom combate ou cuidado visual e cultural. Não vale a pena perder tempo com ele.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *