Mudar um RPG de mesa para o computador é difícil. Há quase sempre problemas no caminho. É o caso de Starfinder: Afterlight. O jogo adapta o sistema Starfinder Segunda Edição. Nota-se logo ao que vem. É um combate por turnos. É preciso pensar bem na acção. É preciso pensar na posição. Não basta clicar no rato sem parar para atacar. Só que esta demonstração mostra mais coisas. A parte técnica ainda está muito fraca. Falta muito para ser um jogo pronto.
Jogabilidade
O combate táctico é o melhor do jogo. É a parte mais rica. Temos três acções em cada turno. Os acertos críticos têm muito peso. Tudo isto muda as escolhas do jogador. Fazer um terceiro ataque seguido quase nunca vale a pena. O ataque ganha uma penalização grande. O jogo fica melhor quando usamos os pontos para flanquear. É melhor procurar uma boa posição. É melhor usar capacidades de apoio. Esta parte estratégica faz a diferença. Starfinder: Afterlight fica diferente de outros jogos. Exige plano e cabeça. Não exige força bruta.
O problema é a falta de rapidez. Isso estraga a dinâmica toda. Os turnos das personagens mudam muito devagar. O combate fica sem ritmo. Ficamos demasiado tempo à espera. As animações demoram. As acções dos inimigos demoram a resolver. Além disso, os ataques não têm peso. Falta impacto na imagem. Falta impacto no som.
A interface também complica tudo. Podia ser simples, mas não é. As caixas de texto falham muito. As explicações de feitiços e capacidades falham. Às vezes não aparecem na ecrã. Outras vezes ficam lá presas. Há quem não conheça o jogo de mesa da Paizo. Para essas pessoas, o início fica muito confuso. A explicação dos botões é má. A explicação das mecânicas também é má.

Mundo e história
A história começa muito depressa. A equipa vai logo para o meio do combate. Não há tempo para perceber o mundo. O tom é de aventura espacial normal. É um grupo de desadaptados. Eles vão enfrentar ameaças pela galáxia. As personagens têm piada. O grupo tem valor. Só que a escrita muda sem aviso. Passa de comédia leve para uma maturidade à força. Usam palavras fortes só porque sim.
A explicação do mundo é feita a correr. Quem já conhece o mundo de Starfinder vai gostar. Há detalhes para os fãs antigos. Mas a história principal do início usa clichés velhos. São coisas já muito vistas. Não prendem a atenção.
Grafismo
As ilustrações e os vídeos têm qualidade. A direcção artística sobressai. Há várias espécies alienígenas diferentes. Não são apenas humanos com outra cor. O desenho dos cenários é bom. A câmara por cima funciona bem no geral.
Por outro lado, os bonecos a três dimensões são fracos. As animações no jogo também são fracas. O maior problema é a optimização. O jogo fica lento. Perde fotogramas muitas vezes. Isso acontece mesmo em computadores muito fortes. Não há menus para mudar os gráficos em detalhe. Não dá para pôr o jogo a correr melhor.

Som
As vozes das personagens principais têm trabalho. Há momentos bem conseguidos. Mas a qualidade dos actores muda muito. Há linhas de texto exageradas. Ficam fora de sítio em momentos sérios. O som do combate tem o mesmo problema das animações. Os efeitos sonoros são fracos. Os tiros e as capacidades ficam sem força nenhuma.
Conclusão
Starfinder: Afterlight mostra uma base táctica muito boa. O mundo pode agradar a quem gosta de RPGs por turnos. Funciona bem para os fãs do sistema da Paizo. Funciona para quem tem paciência para jogos incompletos. Não funciona para quem quer um jogo sem falhas. Não serve para quem quer algo fluido ou uma história madura e bem contada. O teste mostra algo bom para o futuro. Mas o jogo precisa de muito trabalho. Têm de melhorar a optimização, a interface e o ritmo das lutas antes do lançamento.

