Entrar num labirinto que muda devia dar medo. Devia ser algo imprevisível. MAZEBOUND: Hunt, Gather, Run! quer ser esse jogo. A ideia é juntar recursos e fugir depressa. É preciso sair antes que as paredes fechem.
O problema é que o medo passa depressa demais. O jogo entra numa rotina mecânica. As limitações ficam à vista logo nas primeiras rondas.
Jogabilidade
Apanhar recursos e caçar devia dar força à exploração. Na prática, a rotina é sempre a mesma. Corremos pelo mapa. Apanhamos o que está no chão. Caçamos o que aparece. Depois procuramos a saída.
O inventário é muito simples. Tratar da comida e das coisas básicas é fácil. Não há estratégia nenhuma. É só uma tarefa chata para ir fazendo.
O mapa que muda é a melhor ideia. O labirinto devia estragar os planos ao jogador. Devia criar momentos de pânico a sério. Mas não cria. Os caminhos usam padrões fáceis de perceber ao fim de pouco tempo.
A estrutura do jogo cai quando o mapa deixa de surpreender. O risco deixa de parecer real. O perigo é sempre o mesmo.
A parte da fuga dá o nome ao jogo. Mas não dá urgência nenhuma. Correr para a saída devia ser o momento de maior aflição. Em vez disso, torna-se uma corrida normal e sem graça.

Mundo e história
Não há uma história a puxar por quem joga. O mundo serve para ter lá o labirinto e pouco mais.
O sítio é mau e perigoso. Mas isso resume-se às regras do jogo. Não há segredos nem histórias para descobrir.
Grafismo
O visual é simples e serve para o gasto. Deixa ver bem o chão e os caminhos enquanto corremos.
Faltam-lhe detalhes e ideias novas. Os cenários não ficam na cabeça. As corridas parecem todas iguais.

Som
O som faz o trabalho dele mas não se destaca. Os barulhos ajudam a saber quando caçamos ou apanhamos coisas. Mas a música não ajuda a dar aquela aflição que o jogo precisava.
Conclusão
MAZEBOUND: Hunt, Gather, Run! serve para quem quer partidas rápidas. É bom para jogar sem pensar muito na parte da sobrevivência. Quem quer um jogo difícil de navegação fica a meio. Faltam coisas diferentes. O labirinto deixa de surpreender e o jogo cansa rápido.

