Análise: Crusader Kings II

A Era medieval foi um período de rápida mudança na Europa, as fronteiras rapidamente se moviam, reinos ganhavam e perdiam poder e as guerras foram mais do que aquelas que podemos contar. Vários títulos abordaram esta época e retrataram o elemento militar de forma exemplar, no entanto Crusader Kings II vai onde poucos tentaram ir, ao elemento humano da época. Claro que os exércitos continuam a ser importantes mas são tão importantes como as relações politicas com os outros reinos. Em Crusader Kings II podemos optar por atacar um pequeno reino com toda a nossa força ou tentar uma aliança para que uma futura invasão seja mais fácil. Podemos tentar casar os herdeiros do trono com casas poderosas para que possamos contar com ajuda sempre que necessário.No entanto, pelo meio temos que ter sempre atenção aos que esperam por um momento de fraqueza para atacar. É este nivel de complexidade que vos espera em Crusader Kings II.

Crusader Kings II joga-se num mapa tridimensional da Europa com uma boa apresentação. Não é um monstro tecnológico mas faz o trabalho de forma decente e é agradável de se ver. O jogo começa com a escolha de uma personagem que irá estar associada a um período histórico algures entre 1066 e 1337. Temos muitas personagens à escolha, desde réis a condes cada um com um território que pode ser um pequeno reino associado a um império maior ou uma grande nação que abrange já uma grande parte da Europa. Cada um tem algumas vantagens e desvantagens. Enquanto que jogando com um grande império, faz com que tenhamos mais dinheiro e um grande exército, quando jogamos com um pequeno território teremos pouco dinheiro e apenas alguns homens armados, no entanto o tamanho do nosso território é directamente proporcional ao tamanho dos nossos problemas. Nem sempre os nossos vassalos vêem as coisas da mesma forma que nós e teremos que lidar com intrigas e traições que podem dividir o nosso império. A forma como lidamos com estes problemas é dos factores que mais contribuem para o nosso sucesso. Cada personagem tem um número que representa o seu sentimento em relação à nossa personagem que varia entre -100 e 100 sendo que um alto valor negativo é provável que acabe em revolta ou traição. Ao contrário de outros RTS, em Crusader Kings II controlamos uma dinastia, logo temos que assegurar que que o nosso herdeiro é sempre da mesma casa ou podemos perder o controlo do reino ou de parte dele.

É assim tão importante o tempo passado em combate como aquele em que a paz se faz sentir no nosso reino. A politica é bastante importante e uma má gestão das relações com os outros reinos pode ter graves consequências, mas quando tudo corre bem é bastante gratificante. Nota-se que há um grande trabalho para que tudo tenha uma certa lógica na reacção dos outros lideres perante as nossas acções e decisões. Como a pontuação final depende do prestigio ganho por cada líder que vamos controlando, é vital que as nossas decisões sejam pensadas de forma a manter a nossa dinastia forte até ao final do jogo no ano de 1453. Com quem casamos o nosso herdeiro por exemplo deve ser bem pensado, se este se casar com alguém que não pode ter filhos pode acabar com a nossa linhagem. É também importante manter uma boa relação com o resto da família, quando se é negligente a restante família, esta vai-se ressentindo e aumentarão as tentativas de usurpar o poder. Embora seja possível jogar todo Crusader Kings II seguindo um caminho pacifista, não é desta forma que se atingirá o melhor resultado. Devemos conquistar outros reinos, combinando politica, intriga e força militar para obter o melhor resultado. Investir apenas na nossa força militar não será suficiente pois para declarar guerra por exemplo é necessária uma causa para o fazer,casus belli.

Depois de declarar guerra a um país é quando tudo se complica, a economia começa a ressentir-se devido aos custos da guerra, se usarmos as forças dos nossos vassalos a relação com estes começa a piorar e se optar-mos por mercenários podemos ter que recorrer a um empréstimo que deixará a economia do império de rastos nos próximos anos. Temos que ter em conta também os aliados de quem queremos invadir pois podemos ter que lidar com mais exércitos do que aqueles que tínhamos pensado. No entanto se as nossas relações forem boas teremos também aliados e poderemos até por vezes a ajuda do Papa que nos ajudará com um exercito. Crusader Kings II tem soluções para todos os jogadores inteligentes e pode-se somar a nossa força militar com casamentos forçados enquanto o nosso chancellor causa desordem dentro do território inimigo. Podemos também assassinar o líder do território inimigo o que pode trazer grandes vantagens, no entanto se o assassínio falhar pode dar a informação de que foi enviado pelo jogador que perde assim prestigio. Infelizmente quando os exércitos finalmente se encontram é quando Crusader Kings II perde um pouco do seu esplendor. O combate nada é mais que alguns menus e tabelas com números que representam as forças de cada exercito. Quanto maior o nosso território mais confuso é o combate e se estivermos em guerra em varias frentes rapidamente nos perdemos. É dos aspectos menos conseguidos, confusos e menos excitantes do jogo, no entanto tudo vale a pena quando chega o momento em que se faz uma oferta de paz, o nosso adversário aceita e nós conquistamos mais um território.

Não se desencorajem com este pequeno defeito, Crusader Kings II é um bom jogo, com uma complexidade que irá atrair muitos jogadores mas infelizmente assustará outros. O tutorial existe mas é pouco encorajador e não irá resolver todos os vossos problemas, mas se aguentarem com o primeiro impacto irão ter uma experiência bastante agradável. Há ainda um modo multiplayer que suporta 32 pessoas. Este modo é ainda mais desafiante, jogando com pessoas reais as relações politicas são ainda mais importantes e a uma tentativa de assassinato é levada a peito.

Tiago Roque

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