Análise: Portal 2

Quando o primeiro Portal saiu como parte da Orange Box, era de entre todos os jogos que faziam parte de Orange Box a grande surpresa, uma experiência única, originalidade das mecânicas e uma narrativa e personagens inesquecíveis. Ficou assim conhecido como uma obra de génio e um clássico imediato. Mas, tratando-se da Valve não era de esperar algo diferente. Dentro do universo PC são conhecidos por fazerem jogos de excelência técnica e de gerir o tempo como acharem necessário (Half Life 2 Episode 3 onde andas?). Por todas estas razões quando Portal 2 foi anunciado a ideia geral é que se iria tornar ele próprio também num jogo de qualidade, e a verdade é que a Valve não desapontou.

 

O facto de ser uma sequela não lhe tira brilhantismo, muito pelo contrário, a Valve conseguiu manter um efeito surpresa ao introduzir novas mecânicas de forma progressiva e introduziu um modo cooperativo, expandindo a mitologia do jogo e criando uma narrativa que arrisca na repetição mas torna-se genial.

Quem jogou o primeiro vai sem duvida tirar mais proveito desta sequela, mas, quem nunca ouviu falar de Aperture Science não tem razões para não aproveitar o jogo. Há algumas referências ao primeiro jogo mas são algo subtis permitindo a todos aproveitar Portal 2.

No seu núcleo Portal 2 continua a ser o mesmo jogo, em que se faz uso de uma arma de portais para encontrar forma de sair de cada área e prosseguir na campanha, utilizando a velocidade e a física. Tal como no primeiro o desafio de cada puzzle vai aumentando e ao contrário de grande parte dos blockbusters actuais é um jogo cerebral.

Ao contrário do primeiro, Portal 2 é um jogo maior, por isso esta mecânica simples não iria satisfazer o jogador, por essa razão vão sendo introduzidas novos elementos no decorrer do jogo, de forma progressiva, mantendo assim a “frescura” do jogo. É o casos das pontes luminosas que em conjunto com os portais, permitem percorrer caminhos inacessíveis e providencionam protecção contra as turrents. No decorrer da campanha vão ser tambem apresentados três tipos de gel. O Repulsion Gel, de cor azul funciona como trampolim, o Propulsion Gel, de cor laranja que nos faz ganhar velocidade e por fim o Conversion Gel que permite criar portais nas zonas onde este for colocado. Outro elemento que é introduzido mais à frente são túneis luminosos que transportam o jogador ou um objecto pelo ar numa certa direcção.

Todos estes elementos que por si só já são brilhantes quando combinados são aquilo que tornam Portal 2 numa experiência única, pegando na formula de sucesso do primeiro jogo e melhorando-a.

Em relação à história não entraremos em detalhes pois é algo que deve ser aproveitado por cada pessoa quando joga Portal 2. Podemos apenas dizer que GLaDOS está de volta e que nos é apresentada uma nova personagem, Wheatley, uma esfera de personalidade desenhada para agir de forma cómica e é responsável pelos momentos mais hilariantes do jogo. A Valve parece ter pegado no humor que foi tão bem recebido pelos jogadores e melhorou-o, o sarcasmo de GLaDOS está bastante bem conseguido e são muitas as frases memoráveis que vos vão ficar na cabeça. Além do humor há um maior esforço em tentar criar uma narrativa.

Em termos técnicos como tem sido habitual nos jogos da Valve, Portal 2 usa uma versão mais polida do motor Source que apesar da idade ainda consegue produzir bons resultados tanto em termos gráficos como em física e jogabilidade. Nota-se um pouco a idade mas há jogos que utilizam motores mais recentes com bem pior aspecto. Os cenários são maiores e mais variados, o primeiro Portal era um pouco limitado neste aspecto. Infelizmente os loadings excessivos que o Source nos foi habituando estão novamente presentes.

Além da genial campanha a solo, Portal 2 contém também um modo cooperativo. É incrível a criatividade da Valve neste ponto, trazendo tudo aquilo que funciona no modo single player e criando um modo cooperativo que utiliza as mesmas mecanicas para uma experiência cooperativa única.

Tal como é explicado na campanha GLaDOS na ausência de cobaias humanas criou robôs para fazerem os seus testes macabros. Neste modo jogamos com Atlas e P-Body, ou Azul e Laranja, que GLaDOS trata com os seus normais incentivos em forma de abusos verbais.Todas as novas mecânicas introduzidas na campanha de Portal 2 estão presentes. Cada jogador pode criar dois portais e o mais frequente é os jogadores terem que trabalhar em equipa para fazer um deles avançar que depois terá de responder da mesma forma, sendo impossível um dos jogadores levar a equipa à vitória sozinho. Por vezes o jogo complica-se um pouco, pedindo aos jogadores que efectuem tarefas diferentes em simultâneo. Assim sendo aconselha-mos o uso de algum tipo de comunicação por voz apesar de o jogo fornecer ferramentas que possibilitam a comunicação como contagens decrescentes, activar a câmara do nosso companheiro ou uma série de expressões que também estão disponíveis. Está também disponível uma loja que permite modificar partes da personagem mas para tal terá que gastar uma quantia adicional.

Em relação às diferenças entre consolas vale a pena salientar a inclusão de Steam na versão PS3, que podem assim jogar juntamente com os jogadores do PC. O jogo na versão PS3 vem acompanhado de uma chave que permite o download do jogo na sua versão PC também.

Por fim a palavra génio é bem aplicada novamente, juntamente com o primeiro Portal, Portal 2 é um clássico instantâneo que muitos de vós completará várias vezes assim como nós o fizemos com o primeiro.

Requisitos

  • Microsoft Windows XP, Vista ou 7 / Mac OS X 10.6.7
  • Processador: Intel Pentium 4 3.0 GHz or 2 GHz dual-core
  • Memória: 1 GB RAM (2 GB para Vista, 7 e Mac OS X)
  • 7.6 GB livres no disco
  • Placa gráfica com DirectX 9.0 e 128 MB RAM

Tiago Roque

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