Análise: Forza Horizon

Jogos de condução em mundo aberto são raros, sendo Need For Speed a licença que talvez mais tentou investir nesse conceito mas que optou por o pôr um pouco de parte, dando ao jogador a possibilidade de simplesmente escolher as corridas como normalmente faria se o jogo não fosse em mundo aberto. No entanto Forza consegue tornar o conceito divertido, dando-nos uma estrada aberta a percorrer com bons cenários e com o objectivo de nos juntarmos ao festival Horizon, uma espécie de Burning Man para carros.

Depois de uma pequena corrida até ao festival, terão de entrar numa série de eventos, que à medida que vamos ganhamos, angariamos pontos que depois desbloqueiam mais corridas. Além disso há ainda uma mecânica de popularidade que tenta medir a quantidade manobras que fazemos, desde drifts a burnouts, quanto mais “show” derem durante as corridas mais pontos ganharão. Começam no lugar 250 e têm de correr até chegar à liderança, à medida que desbloqueiam mais eventos e perks.

As personagens que irão conhecendo pelo caminho não são propriamente realistas, no entanto isso ajuda também a separar Horizon do estilo realista que Forza sempre tentou passar. O irrealismo é algo que se mantém constante durante o jogo, desde os diálogos, aos eventos mais estranhos – como correr contra um avião – até a corridas “pink-slip” onde podem ganhar carros, bastante ao estilo Midnight Club.

A sensação de velocidade é diria eu até superior à que os outros jogos dá série conseguiam passar, com uma jogabilidade relativamente arcade que resulta bastante bem. Foram ainda implementados vários elementos RPG que podem parecer estranhos ao inicio mas que na realidade dão uma profundidade e diversão a Horizon incriveis. À medida que vão percorrer as estradas de Colorado podem ouvir rumores sobre carros abandonados por exemplo, que depois com um pequeno trabalho à detetive resultam em descobertas de carros clássicos.

Podem ainda ganhar descontos em upgrades passando por cima de sinais que vão encontrando ao lado da estrada. Os radares de velocidade trazem consigo um mini-jogo em que o objectivo é passar por elas o mais depressa possível. Outros corredores que encontrem podem ser desafiados para corridas. Para facilitar a navegação podem encontrar “outposts” que permitem teleportar o jogador para outras localizações.

As corridas oficiais não estão dotadas da mesma imaginação, acabando por ser apenas corridas tradicionais onde têm que ganhar a outros pilotos controlados pela AI. Para cada nova corrida à requisitos prévios ou carros que não podem usar. Os eventos por outro lado são bastante mais satisfatórios, com corridas contra aviões ou até balões. Os modos online têm ainda outros mini-jogos como por exemplo jogar às escondidas. Com tanto para fazer as corridas oficiais começam a cair para segundo plano, um problema comum em RPGs e que atinge agora este jogo de condução graças às suas semelhanças com estes jogos.

Com um forte incentivo para que o jogador percorra todo o quilometro de estrada de Horizon e graças ao sistema de popularidade, Forza Horizon consegue impor-se nos jogos de condução como uma proposta inovadora que não fica a dever nada aos jogos que lhe deram nome.

Tiago Roque

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