Análise The Dark Eye: Chains of Satinav

Chains of Satinav é um jogo de aventura da Daedelic que nos trouxe recentemente os dois primeiros jogos da trilogia Deponia. Chains of Satinav é um pouco mais antigo que estes mas não deixa de ter bastante qualidade ainda, especialmente para os amantes dos jogos de aventura, pois os outros podem sentir-se pouco tentados a jogar este.

Comparado com os títulos mais recentes, Chains of Satinav é relativamente mais difícil, podendo ser um pouco frustrante para quem se habituou um pouco ao facilitismo dos jogos actuais. Chains of Satinav passa-se no universo de The Dark Eye, que já inspirou os jogos Realms of Arkania e Drakensang, no entanto este é o primeiro jogo a ser uma aventura point-and-click.

A história segue Geron, um aprendiz de apanhador de pássaros na cidade de Anderghast. Dotado de algum talento mágico, Geron tem a sorte de ganhar um concurso e é colocado ao serviço directo do rei. Infelizmente uma série de assassinatos fazem-no procurar uma fada para tentar toda a cidade. 

Geron é então acompanhado na sua aventura por Nuri uma fada bastante ingénua, o que acaba por a fazer ser apanhada passado bastante pouco tempo depois de chegar à cidade. Sem entrar em mais detalhes, porque um dos maiores prazeres de jogar um jogo deste género é realmente a história, digo apenas que a história é muito boa. Muito mais adulta que grande parte dos jogos que abundam no mercado e um dos melhores elementos de Chains of Satinav.

Enquanto que a história é um dos melhores elementos do jogo, a arte e grafismo é sem duvida o melhor. Todos os ecrãs do jogo parecem obras de arte pintadas à mão e recheadas de vida. A atenção ao pormenor é de salientar, com pequenos pormenores muito bem animados e no geral cada cenário parece único, havendo alguma variedade.

Em termos de jogabilidade é exactamente o que poderiam imaginar de um jogo deste género. Têm de clicar nos objectos com que desejam interagir, por vezes com o botão esquerdo, outras vezes com o direito. Neste aspecto Chains of Satinav não arrisca muito. Mas há alguns elementos originais, principalmente os poderes de cada uma das personagens.

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Geron pode quebrar objectos fracos e Nuri pode fazer o contrário, reparando itens partidos. Esta mecânica é importante para alguns puzzles e traz alguma variedade, mas no geral Chains of Satinav é praticamente igual a todos os outros jogos de aventura clássicos. Vão ter que recolher objectos e utiliza-los na altura certa ou juntar vários objectos. Para ajudar os jogador mais inexperientes podem activar a ajuda que destaca os objectos com que podem interagir carregando no espaço.

Mesmo com estas ajudas Chains of Satinav é um dos jogos mais desafiantes do género actualmente no mercado. Os puzzles são um desafio que os jogador mais habituados vão gostar, no entanto jogadores menos habituados, mesmo com as ajudas vão ter dificuldade. Estes irão achar sobretudo o primeiro capitulo bastante difícil.

O som infelizmente é dos piores aspectos do jogo, especialmente a musica que nem sempre está presente sequer. A musica está também ligada à atmosfera do jogo ficando mais ameaçadora à medida que as trevas tomam conta do jogo. As vozes são bastante competentes em todas as línguas presentes, especialmente na original. Infelizmente não há qualquer opção para português.

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Chains of Satinav demora cerca de doze horas a completar, isto se souberem o que estão a fazer. Devido à sua dificuldade e como a única dificuldade nos jogos de estratégia é o facto de não saber o que fazer, os jogadores menos inexperientes que queiram acabar o jogo vão acabar por o fazer no dobro ou mais tempo.

A história e a arte do jogo são sem duvida os melhores aspectos do jogo, no entanto o percurso é um pouco melhor que o final e há alguns cenários menos conseguidos. A musica é competente mas talvez o pior aspecto do jogo e a jogabilidade é clássica  sem realmente arriscar muito. É difícil recomendar este jogo a quem não joga este género, mas aqueles que jogaram os grandes clássicos da extinta Lucasarts vão adorar Chains of Satinav.

8/10

 

Tiago Roque

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