Análise: Payday 2

The Heist, o nome do original, era divertido mas tinha alguns problemas e nem sempre era óbvio o que fazer para afastar a policia sem ser ao tiro, algo que por vezes era até impossível. Payday 2 traz consigo mais do mesmo, mas muito melhor. Chains, Hoxton, Wolf e Dallas estão de volta para matar mais policias, mas desta vez é realmente mais óbvio o que fazer para que o trabalho seja um pouco mais limpo e é possível fazer tudo sem alertar um único policia e existe também um novo sistema de níveis.

Payday tem um conceito simples. Escolham um trabalho, completem-no, ganhem dinheiro e tornem-se o ladrão mais rico do mundo. Esses trabalhos são escolhidos através de um sistema chamado Crime Net, que nos propõe uma série enorme de crimes, desde os clássicos assaltos a bancos até operações bem mais furtivas. Graças a uma boa série de sistemas bem implementados, os trinta diferentes golpes que podem tentar parecem ser muito mais porque independentemente do numero de vezes que jogarem cada um irá acontecer sempre algo diferente. Não se trata de aumentar o numero de inimigos aqui e ali, mas sim das próprias áreas da missão serem diferentes, com diferentes caminhos a ficarem disponíveis devido a certos eventos diferentes.

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Infelizmente jogar a solo continua a ser uma má opção. Os bots não têm qualquer noção de aproximação furtiva e mesmo em combate são piores que qualquer mau jogador que encontrem online. São basicamente sacos de carne que acabam por ficar no caminho e que parecem não ter qualquer interesse em cumprir objectivos. Nunca irão ver um bot a atar um refém ou a carregar um saco de dinheiro e muito menos outros objectivos como verificar se as serras estão ou não a funcionar.

Payday, seja o primeiro ou o segundo, é pensado para Co Op e é assim que deve ser jogado. Quanto melhor for a equipa melhor, mas o ideal será realmente pegar em três amigos com quem tenham confiança e praticar algumas vezes o mesmo cenário. Graças à imprevisibilidade garantida pelos acontecimentos aleatórios já referidos há a hipótese de nem sempre tudo correr bem, mas ao fim de algumas tentativas irão conseguir cumprir os objectivos sem alertar grandes forças policiais e essa é a melhor satisfação possível de se ter em Payday 2.

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Sempre que isso não for possível, tendo alguma estratégia ou forma de a definir na hora é também importante. Os melhores resultados conseguem-se quando cada um dos elementos está concentrado numa função especifica como por exemplo um responsável pelos objectivos principais e que irá quando possível ajudar os dois que ocupam a policia e o ultimo responsável por objectivos secundários quando existirem e que se ocupa de combater quando livre. Payday 2 faz um bom trabalho em dar ao jogador um cenário e uma série de objectivos e depois a dar-lhe toda a liberdade possível para os cumprir. Obviamente existirão algumas alturas em que irão pensar que podiam ter feito isto e aquilo se o jogo o permitisse mas no geral existe uma boa dose de liberdade.

Comparar Payday 2 com o original é o maior crime aqui, pois qualquer comparação deixa o primeiro jogo de rastos. Podíamos começar pelo simples numero de golpes que mais do quadriplicou, mas a melhor melhoria vem do sistema de níveis que permite muito mais liberdade aos jogadores, mas também é agora muito mais óbvia a diferença entre as várias classes. Cada uma das classes tem agora um papel bem definido e isso só se torna mais e mais evidente à medida que vão subindo de nível.

O dinheiro que vão ganhando em cada golpe não é apenas um numero para uma leaderboard ou outro qualquer sistema menor. Esse dinheiro pode ser realmente utilizado dentro do jogo para adquirir novas armas e habilidades e até torres sentinelas e minas. A escolha de armas é enorme e nenhum jogador se irá sentir obrigado a optar por um tipo de armamento, pois mesmo depois de escolher uma arma que goste, tem ainda uma série de formas de a tornar melhor com partes customizadas que são ganhas no final de cada golpe. A atenção ao pormenor é tão grande quanto o jogador quiser e podem passar semanas e semanas a jogar até terem um equipamento com que se sintam satisfeitos.

Graficamente nota-se um bom salto de qualidade relativamente a The Heist e os cenários são bem detalhados, isto até olharmos com atenção aos cenários interiores que são uma boa série de degraus inferiores. Enquanto que o cenários exteriores são um regalo para os olhos, os interiores parecem vir de um jogo completamente diferente. Isto não é um grande problema uma vez que passamos a maior parte do jogo entre tiroteios e corridas até aos objectivos, mas seria bom um pouco mais de atenção. Os inimigos são outra área onde podia ter sido perdido um pouco mais de tempo, pois praticamente todos os inimigos parecem iguais e em 2013 seria de esperar que os jogadores pudessem matar mais do que uma série de policias clones uns dos outros.

 

 

Tiago Roque

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