Análise Castlevania: Lords of Shadow Ultimate Edition

Castlevania é um dos grandes clássicos da industria, remontando aos tempos da NES onde começou com um jogo bastante difícil, mas linear, portanto muito longe do esquema que acabaria por descrever a série e que ajudou a cunhar juntamente com Metroid o termo Metroidvania. Lords of Shadow foi lançado para consolas já à algum tempo e teve até direito a uma pequena continuação na 3DS antes de chegar ao PC através destas Ultimate Edition, na qual a Konami colocou todos os DLCs já lançados para as consolas.

Lords of Shadow é a tentativa da Mercury Steam de trazer a clássica série Castlevania para um jogo 3D de sucesso, algo que ainda não aconteceu verdadeiramente. As influencias são, além de Castlevania obviamente, Uncharted e um pouco de Devil May Cry. Infelizmente as influencias de Castlevania parecem ser as que menos têm destaque, pelo menos no que toca às mecânicas de jogo. Lords of Shadow é bastante linear e genérico e durante grande parte do jogo não parece Castlevania.

Esta é talvez a minha maior decepção com o jogo, porque quando eu penso em Castlevania lembro-de de um castelo enorme e ameaçador e não de grandes ambientes abertos. Felizmente esses cenários exteriores são soberbos graficamente e se este jogo tivesse um nome completamente diferente iria adorar, mas sendo o nome deste jogo Castlevania esperava uma direcção artística diferente. Felizmente depois de algumas horas de jogo recebemos aquilo que queríamos de inicio, mas muitos jogadores podem ser desencorajados a chegar lá.

Eu estimo que há de seis a oito horas de goblins e duendes e apenas depois vemos algo que realmente tem um ar de Castlevania. Eu não tenho nada contra tentar aproveitar tudo o que jogos fantásticos como Uncharted trouxeram à industria, mas a verdade é que mesmo nisso Lords of Shadow não se consegue realmente comparar à concorrência. Não é mau, não é mau de todo, mas quando comparado directamente fica sempre um pouco abaixo. E o problema maior é que estas secções de escalada e plataformas têm um custo e esse nota-se principalmente na perda da sua identidade. Quer realmente a Konami que Castlevania continue o caminho que lhe deu fama e inovador ou quer chegar a um publico mais amplo e diluir a sua essência?

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Esta linearidade atinge o jogo como um todo. Os jogos 2D da série são conhecidos pelo seu design ambiental em camadas. Não há qualquer problema em tentar uma abordagem mais linear, mas o real problema é que os criadores não se comprometeram verdadeiramente com esta visão e acabaram por ficar em algo que é totalmente linear, mas que mantém a existência de algum backtracking. Infelizmente backtracking com linearidade torna isso inútil e prejudica o jogo, aumentando artificialmente a sua longevidade sem existir um real propósito e beneficio.

Mas mesmo com alguns problemas, não consigo deixar de gostar de Lords of Shadow. Graficamente é incrível , a banda sonora é incrível, e foi feito um esforço enorme na narrativa, tornando este o melhor Castlevania nesse aspecto. Ao contrário dos outros jogos da série, o verdadeiro foco de Lords of Shadow é o combate, relembrando um pouco até os primeiros jogos da série. Apesar de algures no lançamento da PlayStation original a série apostar forte em tornar-se menos linear, a verdade é que as suas origens foram bastante diferentes e muitos jogadores ainda consideram esses os melhores jogos 2D da série.

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Lords of Shadow está longe de ter o melhor sistema de combate que eu joguei, mas também é muito boa diversão à moda antiga. O problema acabam por ser alguns bosses e combates insatisfatórios. Não me entendam mal, grande parte do jogo é bastante divertida e alguns bosses são um desafio interessante e batalhas memoráveis, mas mais de metade são combates genéricos que não representam grande desafio e servem para ocupar o jogador e aumentar a sua longevidade de forma pouco interessante. Esta é provavelmente a coisa mais irritante em Lords of Shadow.

Em termos de conteúdo não me posso realmente queixar. Mesmo sem contar com os DLCs, esta é uma das aventuras de acção mais longas que podemos encontrar e apesar do backtracking existem muitos cenários diferentes e nunca irão passar por duas áreas semelhantes, a não ser quando estão a percorrer a mesma área novamente. Lords of Shadow era um desafio enorme e a Konami fez um bom serviço a trazer alguns elementos dos jogos da série ao mesmo tempo que o tornou mais linear e assim atrair mais jogadores. Infelizmente é um bom trabalho e não um fantástico trabalho. Certamente Lords of Shadow 2 irá limar algumas arestas e tornar este bom inicio em algo realmente memorável.

7.5/10

 

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Tiago Roque

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