Análise Call of Duty: Ghosts

Call of Duty 4 foi um dos FPSs mais inovadores da ultima geração. Aquilo que parecia apenas uma mudança de época acabou por revolucionar o género, especialmente no que toca aos modos online. A partir daí a série tornou-se anual e nunca mais conseguiu inovar da mesma forma. Isso não impediu que todos os anos seja um dos jogos mais vendidos e a qualidade está sempre altíssima. Com a chegada das consolas da nova geração esta era a oportunidade perfeita para a Activision elevar de novo a série, algo que acabou por não acontecer. Muito pelo contrário, Ghosts é um grande FPS mas é um tiro ao lado em termos de novas ideias, sendo aquele que menos conceitos novos introduziu na série.

À medida que o género domina as vendas a concorrência aumenta. Battlefield 4 é um concorrente forte e a verdade é que se o online é a prioridade, quem ainda joga Modern Warfare 3 está bem servido. Ghosts não faz parte da série Modern Warfare, mas funciona como um sucessor espiritual dessa série. Apresenta todos os elementos fortes da série, com uma jogabilidade sólida aproveitando os melhoramentos do DualShock 4. A série nunca foi conhecida por uma longa campanha, mas sim pela intensidade desta e Ghosts mantém esse pensamento. As missões são variadas com sequências bastante cinematográficas e com combates intensos e sequências de perseguição que trazem variedade à jogabilidade.

Ghosts é também inteligente o suficiente para não manter o mesmo ritmo ao longo de todo o jogo. Existem algumas sequências mais ponderadas que dão algum espaço ao jogador para respirar. Desta forma a acção frenética tem um efeito mais eficaz sem nunca se tornar aborrecido. A qualidade está realmente aqui como sempre esteve, com alguns novos ambientes interessantes, mas que nunca sai da sua zona de conforto. A Infinity Ward não corre nenhum risco na campanha e a única aposta inovadora vem como  um novo modo multijogador, sem nunca tocar na fórmula vencedora dos modos tradicionais.

O maior problema de Ghosts em termos narrativos é o facto de ter um universo completamente distinto. Não há qualquer ligação com o universo dos jogos anteriores e isso pode causar confusão aos jogadores. Pessoalmente preferia que o jogo se chama-se simplesmente Ghosts, pois o nome Call of Duty parece estar aqui apenas por razões comerciais. A história centra-se no esquadrão Ghosts, um esquadrão de forças especiais do qual faz parte a família principal do jogo. Isto não daria uma grande história, é a utilização de uma arma dos EUA contra o seu próprio país que inicia os eventos do jogo. A arma é tão poderosa que consegue até alterar a geografia do país e passados dez anos este ainda não conseguiu recuperar do desastre.

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O esquadrão Ghosts é o único que pode conseguir recuperar o país do domínio da Federation, uma força sul-americana que controla agora o país. Uma das únicas novidades na campanha são as missões subaquáticas e no espaço que trazem um ambiente de gravidade zero ainda não visto na série, mas que não é realmente inovadora e já foi vista em vários jogos. A outra novidade é o nosso companheiro canino que foi introduzido na apresentação da Xbox One. É uma novidade engraçada mas em termos práticos não é nada que nunca tenhamos visto. Durante a maior parte da campanha este age autonomamente atacando inimigos, sendo possível controlá-lo durante algumas sequências.

Nota-se que existiu um cuidado especial com o nosso pequeno companheiro canino, Rilley, mas nunca senti que a sua integração do jogo fosse perfeita. O seu uso parece demasiado forçado em demasiados momentos e deixou-me a perguntar se eu não poderia ter lidado facilmente com a situação sozinho em vez de colocar o cão em perigo. Consigo ver a possibilidade de lidar furtivamente com algumas situações, mas não deixa de parecer forçado aos jogadores. Por outro lado a IA parece ter ficado parada na geração anterior. Com tanto poder de processamento adicional dá pena ver que os inimigos e companheiros parecem não ter qualquer pensamento próprio que indique a presença de inteligência.

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Falta então olhar para os modos online. A principal novidade é o modo Extinction que imita o modo Zombies de Black Ops, trocando os zombies por extraterrestres. O objectivo é destruir o covil das criaturas, duma forma que lembra Payday. Os jogadores têm que colocar uma broca e defende-la, ganhando créditos e assim comprar munições e novo armamento. Depois estão de volta todos os modos mais populares e que tornam Call of Duty uma das melhores experiências competitivas que podemos encontrar. Se a razão para comprarem o jogo é simplesmente a campanha então podem esperar o mesmo de sempre. Uma experiência curta mas de grande qualidade, mas que pode saber a pouco quando comparada com outros do mesmo género.

Olhando para a PS4 por exemplo, a versão que recebemos, então Killzone Shadow Fall seja uma melhor proposta, com uma campanha mais longa e realmente diferente da que encontrámos em Killzone 3. Mas se compram o jogo pelas componentes online, Call of Duty Ghosts é ainda um dos melhores que podemos encontrar com uma jogabilidade fluída e muitos e variados modos online. Dentro do género mais arcada do género FPS não há nenhum outro que consiga igualar Call of Duty, mas é uma fórmula demasiado gasta e que irá saber ao mesmo de sempre para muitos jogadores. Portanto se querem algo de realmente diferente, tentem dar um oportunidade a algo diferente, Killzone e Battlefield são óptimas propostas.

8/10

Tiago Roque

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