Análise Deadfall Adventures

Apesar de as mecânicas dos FPSs se tenham mantido mais ou menos constantes desde o inicio do género, muita coisa mudou na jogabilidade, integração de elementos de RPG, design dos níveis e grafismo. A actualidade é dos shooters militares por pouco se goste da ideia e poucos jogos tentam desafiar esse domínio. Quando vi pela primeira vez Deadfall Adventures pensei que este seria um FPS à antiga, com puzzles e níveis labirínticos, um foco na acção e exploração e no um regresso a um protagonista como Duke Nukem. A premissa é interessante. James Lee Quartermaine é um aventureiro, uma homenagem às obras de Allan Quartermaine e que vive uma história típica de herói.

O protagonista não é um herói, mas tem que se impor como um para encontrar um artefacto, chamado O Coração de Atlantis, e impedir que caia nas mãos erradas. Os cenários são variados, indo desde catacumbas no Egipto até paisagens geladas do árctico e a selva tropical. A aventura dura cerca de onze horas e não é pela longevidade nem variedade dos cenários que Deadfall Adventures é um jogo mediano. Também não é pelo grafismo. Os cenários são belos, vastos e recheados de pequenos tesouros. Juntamente com uma boa banda sonora há realmente uma atmosfera de mistério e aventura. Os inimigos são o exercito Nazi e criaturas sobrenaturais como múmias.

Os amantes de filmes como Indiana Jones vão adorar o ambiente. Os Nazis encaixam de forma perfeita, tanto pela época do jogo como pela mistura com o oculto. Como podem ver Deadfall Adventure acerta em muita coisa. Havia aqui muito potencial, mas tudo ou quase tudo é prejudicado pelos aspectos menos conseguidos. O diálogo por exemplo é pobre, assim como os actores que lhe dão voz. As personagens não tem profundidade nem dimensão, nunca criando ligação com o jogador e as suas ligações não são credíveis. Os diálogos conseguem ser dolorosos por vezes, insistindo em “one liners” que falham tanto em termos humorísticos como narrativos. Os acontecimentos não são realistas e o diálogo apenas piora tudo.

É como se o diálogo dos filmes Indiana Jones se baseia-se em Indiana a meter-se com uma companheira. A jogabilidade não inova muito e apesar de os controlos não serem tão precisos como em jogos como Battlefield ou Call of Duty são minimamente bons para não prejudicar a experiência neste aspecto. Por outro lado a inteligência artificial é responsável pela maior parte da frustração. Os inimigos não tentam trabalhar em equipa e os aliados também não estão muito inclinados em nos ajudar.

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Os puzzles que podiam ser um trunfo para Deadfall Adventures, fracassam graças a puzzles tão lineares como abrir uma porta. Um design menos linear que fosse buscar inspiracao a FPSs clássicos era bem vindo e uma distracção interessante aos jogos actuais, mas nada disso existe aqui. Apesar de boas ideias e boa execussao em muitos aspectos como som e grafismo, tudo o resto aqui é pobre ou mediano. Nao há nada aqui realmente memorável e apesar dos pontos positivos não posso recomendar Deadfall Adventures.

5.5/10

Tiago Roque

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