Análise Guilty Gear Isuka

Guilty Gear Isuka não é um jogo recente, longe disso, foi lançado ainda para PS2 mas apenas chegou agora ao PC. O facto de ser um jogo antigo podia ter sido uma boa desculpa para terem sido feitas algumas boas alterações mas o resultado final é um dos ports mais pobres que vi até hoje. A lista de falhas é enorme e facilmente esta análise pode passar a ser uma lista de queixas. Para ser honesto não sou realmente grande jogador de jogos de luta. Gosto de jogar ocasionalmente e mesmo não sendo fã joguei alguns dos mais conhecidos dos últimos anos. Conseguir aqueles combos enormes é algo que em grande parte dos casos me passa completamente ao lado, mas as falhas de Guilty Gear Isuka são tão grandes que até eu consigo ver tudo o que de mal se passa aqui. A primeira questão é porquê Isuka? Com tantos e melhores jogos da série Guilty Gear, porquê lançar um que não faz parte da série principal e é um dos mais fracos?

Além de não ter resposta para essa questão é preciso salientar que não é de todo uma boa decisão lançar um jogo em 2014 sem multijogador online, mas dada a idade do jogo compreendo. Guilty Gear Isuka contém 23 personagens, vários modos para um jogador e até um modo sidescroll ao estilo brawler. Apesar da ausência de multijogador online existe um local para até 4 jogadores. O principal problema de Guilty Gear Isuka é a jogabilidade.

Ao contrário de praticamente todos os jogos do género os lutadores não se viram para o seu adversário automaticamente, recorrendo a uma tecla para essa função. Isto muda completamente a jogabilidade, dando uma vantagem enorme à IA e tornando um jogo que por si só já é bastante difícil em virtualmente impossível. Se são fãs do género têm aqui uma boa oportunidade de aumentarem a vossa colecção por um preço bastante agradável, mas preparem-se para um port de qualidade muito inferior à media.

Para dizer a verdade não há praticamente nada que separe esta versão PC de uma jogada num emulador. Tenho até muitas duvidas que não seja exactamente isso que se passa aqui. Antes de entrar no jogo podemos alterar algumas das definições do jogo, sendo que maior parte delas parece vinda de um emulador. A única resolução que existe é exactamente a mesma que a possível na PS2 e mesmo os controlos estão relacionados com os comandos PlayStation. Como nas combinações dentro do jogo são utilizados outros símbolos a confusão é enorme. Temos que nos lembrar que tecla é qual e depois qual é o símbolo que corresponde a cada tecla. Sendo que graças à tecla adicional que nos temos de lembrar para rodar a personagem são realmente precisas demasiadas teclas do teclado, o que torna quase obrigatório que joguem com um comando. Mas existem mais alguns problemas.

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Não existe por exemplo forma de abandonar o jogo. Sendo que foi pensado como um jogo para consola, onde não se volta ao menu inicial, simplesmente se troca de disco, não existia essa necessidade, mas no PC é uma obrigatoriedade. É ridículo que não exista uma opção para sair do jogo. Caso joguemos em modo janela podemos simplesmente fechar, mas em ecrã inteiro é preciso recorrer a Alt-F4. O aspecto do jogo é datado, mas caso joguem em modo janela as sprites lembram-nos dos bons velhos tempos dos jogos 2D. Mesmo o som varia em qualidade. A musica é soberba mas as vozes por exemplo são de baixa qualidade. No fundo nada foi feito para este lançamento no PC, simplesmente pegaram no jogo da PS2 e emularam-no no PC de uma forma escondida e isso não é suficiente.

4/10

Tiago Roque

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