Análise Enslaved: Odyssey To The West Premium Edition

Porque razão acabou por ser lançado no PC dada a fraca receção é algo que não entendo mas já que o foi e não tivemos oportunidade de o jogar para consolas vamos então olhar um pouco para este jogo da Ninja Theory. Este estúdio britânico não é alheio a boas produções. Mesmo que Heavenly Sword não se tenha tornado um verdadeiro sucesso (um pouco como Enslaved não se tornou) é um bom jogo e os restantes jogos da Ninja Theory são ainda superiores.

Imaginemos por momentos que a nota na versão consolas seria um 7, então esta nova versão nunca poderia ser superior a 6 por uma simples razão. O jogo existe mais barato nas consolas e esta Premium Edition não traz nada de novo além dos poucos DLCs que saíram na versão original. Não há nada de premium aqui. O grafismo é semelhante e funciona da mesma forma, simplesmente vem atrasado e mais caro. Graficamente continua a ser impressionante, não tanto pela qualidade gráfica em si que já por si é bastante boa, mas pela direção artística e paleta de cores empregue aqui.

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Ao contrário de muitos jogos que tornam o mundo castanho, cinzento e vazio depois de um apocalipse, aqui a história é diferente. Florestas tomaram conta das cidades que continuam cheias de vida tal como atualmente, com a diferença de ser vida vegetal e não humana. É realmente um sítio colorido para se estar e caso não existissem tantos perigos era um bom sítio para visitar com toda a vida vegetal a pintar as cidades, tornando-as quase paradisíacas. O primeiro impacto com Enslaved é parecido com o primeiro impacto do primeiro Uncharted, quando estávamos a começar a ficar habituados aos castanhos e cinzentos dos shooters.

É um conceito interessante e que foi bem usado em jogos como The Last of Us que também nos mostra as cidades depois da vida humana praticamente ter desaparecido delas, mas que em termos visuais é bem mais impressionante aqui. Novamente, em termos de arte e não de grafismo, apesar desta também ser de alto nível. Mas não é só isto que caracteriza o universo de Enslaved. A humanidade não regrediu como em The Last of Us por exemplo, existindo uma enorme quantidade de robôs altamente avançados. O porquê de existirem tao poucos humanos e tantos robôs é explorada dentro do jogo, sendo juntamente com os visuais o melhor que Enslaved tem para oferecer.

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Mas um jogo não pode viver apenas de grafismo e história. Os protagonistas são Monkey e Tripitaka , mas é a protagonista feminina que arrasta Monkey para a aventura. Os problemas começam quando tentamos descrever o resto do jogo. Não existe qualquer exploração propriamente dita, os níveis são demasiado lineares e envolvem pouco mais do que seguir a linha que os criadores do jogo traçaram durante o desenvolvimento. O combate também não é muito satisfatório, resumindo-se a alguns ataques e pouco mais.

É bastante simples e portanto o potencial do desafio justo também não é muito. O especto mais interessante do combate é realmente a oportunidade que o jogo nos dá de ocasionalmente nos deixar planear a abordagem a um confronto. Os robôs inimigos ficam normalmente adormecidos até chegarmos à sua área e alguns estão até desativados, o que nos traz a oportunidade de roubar a sua arma. As zonas de plataformas podiam também ser um pouco melhor trabalhadas. A abordagem é cinemática como em Uncharted por exemplo, mas a execução é mais pobre, com menos adrenalina e com a ação bem mais denunciada, o que a torna menos desafiante também.

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Existem também alguns puzzles, mas nenhum deles é realmente desafiante, sendo até o pior especto do jogo e podia ser facilmente deixado de fora. Normalmente a solução é tão óbvia que é imediata, o que nos deixa com a horrível tarefa de simplesmente fazer algo que já imaginámos momentos antes. Não há qualquer sentimento de satisfação pois todos os puzzles são semelhantes e num nível de dificuldade demasiado baixo.

Os controlos como já referi são um problema. Raramente conseguimos fazer exatamente o que queremos graças a animações demasiado longas que impedem que o comando seguinte seja executado. Graficamente não existem grandes problemas e mesmo depois deste tempo todo continua a ter um especto fantástico, mas os problemas nos controlos tornam o jogo difícil de gostar.

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Nas zonas de plataformas podemos perder ocasionalmente porque não conseguimos saltar a tempo e no combate falhamos demasiados ataques desnecessariamente. Existem alguns bosses, não muitos mas os suficientes. Apenas podemos explorar livremente algumas áreas e no geral estamos demasiado limitados, mas pelo menos a história é bastante interessante e complementada por boas prestações de grandes atores como Andy Serkis, conhecido por ter interpretado Gollum na saga do Senhor dos Anéis e Hobbit.

Além de emprestar a sua voz Andy empresta também o seu corpo para criar algumas cutscenes excelentes. Apesar da história ser interessante, é um pouco linear e acaba por prometer bem mais do que aquilo que acaba por oferecer. O DLC incluído é uma prequela e não adiciona nenhuma informação que grande parte dos jogadores deseje realmente saber.

Tiago Roque

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