Análise: Titanfall

O estúdio por detrás de Titanfall, a Respawn Entertainment é constituída pelos membros principais da Infinity Ward, uns senhores que estão por detrás da série Call of Duty e do fantástico Modern Warfare. Portanto a questão que se colocava nem era se Titanfall seria ou não um bom jogo, mas o quão bom seria. Agora a resposta foi dada, é um jogo fantástico. A narrativa nunca foi o forte da Infinity Ward e também não é o da Respawn Entertainment.

Além de um pequeno vídeo de introdução que muitos irão passar à frente não existe grande destaque para elementos narrativos. Call of Duty revolucionou o mundo dos FPSs online e Titanfall pega em tudo o que fez Call of Duty revolucionário, torna-o mais rápido ainda e mais dinâmico, retira-lhe as kill streaks que desequilibravam o jogo e troca-as por mechas, robôs humanoides gigantes. Isto torna o jogo completamente diferente de se jogar de um Call of Duty ou qualquer outro jogo parecido atualmente no mercado.

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Disparar é semelhante ao que conhecemos, mesmo sem armas atuais nota-se que não existiu uma tentativa de tornar o jogo demasiado futurista, ou pelo menos de o tornar mais futurista, pois obviamente que controlar mechas pode ser já mais futurista do que alguns gostam. A diferença está no movimento, que vai buscar inspiração aos jogos de plataformas e parkour. Titanfall joga-se de forma semelhante a Mirror’s Edge, mas com ainda mais possibilidades. Podemos correr pelas paredes, mas não apenas uma vez. Depois de correr por uma parede podemos saltar para a próxima parede e fazer o mesmo.

Podemos também saltar duas vezes. Não é normal um jogo deste género possibilitar ao jogador fazer um salto duplo e isso traz bastantes possibilidades. Ficar no segundo ou terceiro andar de um prédio não é tão seguro como em outros jogos, pois além de nos termos que preocupar com duas entradas ou com destruição de paredes, temos que nos preocupar com todas as janelas. Nem sequer se trata de trepar um prédio, trata-se de chegar lá a correr pelas paredes e com saltos duplos. A movimentação é rápida e matar um outro jogador a correr pelo cenário pode ser realmente complicado.

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Mesmo acampar deixou de ser eficaz pois facilmente somos surpreendidos por um jogador a usar camuflagem, tornando-se quase invisível, uma habilidade que podemos usar durante alguns segundos. Segundos suficientes para não sermos vistos por Titans a passar pela rua. Apontar simplesmente torna-nos alvos fáceis, sendo crucial movermo-nos rapidamente pelo cenário. Titanfall pode não agradar a todos aqueles que gostam de ver um servidor cheio.

Os jogos estão limitados a um 6vs6, no entanto nunca irão sentir isso. Os cenários são grandes e quando existem 4 ou 5 titans no cenário parecem até pequenos. Não andamos muito tempo sem encontrar algo para disparar, mesmo que nem todos sejam humanos. Titanfall mistura jogadores humanos com inimigos da IA. Esta é uma decisão controversa. Não sei quais as razões desta decisão, mas as limitações do numero de jogadores por servidor deve ser uma delas.

A IA não é uma boa adversária, sendo bastante fácil eliminar 4 ou 5 inimigos destes sozinho ao mesmo tempo. Isto faz com que seja possível ganhar um jogo e fazer uma boa pontuação mesmo sem matar nenhum outro jogador. Obviamente não é tão eficaz pois a recompensa é bem menor. Este é também um jogo onde não perdemos tempo. Como apenas jogamos em 6vs6 num mapa grande, não há qualquer problema em fazer respawn logo a seguir a termos morrido. Bons e maus jogadores vão também ter acesso aos seus titans facilmente. Impressionante também é a quantidade de opções que temos.

Normalmente dois minutos depois do inicio do jogo temos acesso a um Titan, mas podemos resistir à tentação de o controlar, deixando-o em auto piloto e assim tentar flanquear os inimigos que obviamente vão tentar destruir o Titan o mais rápido possível, seja com outro Titan ou com armas anti-Titan. Entrar e sair do Titan é até uma obrigação. Precisamos de abandonar o nosso gigante metálico para entrar em edifícios e passar obstáculos, pois os Titans não saltam, apenas correm e desviam-se rapidamente para uma das direções. A jogabilidade é completamente diferente enquanto controlamos um Titan, é mais lenta e pausada e mesmo os confrontos contra outro Titan são mais estratégicos e pausados do que quando enfrentamos outros jogadores a pé.

O Titan tem apenas uma arma principal, que varia conforme o Titan que escolherem. Seja uma metralhadora, um lança misseis ou lança granadas, apenas terão acesso a uma arma, no entanto um Titan pode ainda atacar de outras formas. Pode atacar com um ataque corpo a corpo e com um ataque de misseis de reserva que tem um dano limitado. Outro aspecto interessante que torna o combate entre Titans bem mais tático é o escudo.

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Este escudo que podemos ativar absorve o dano até um certo limite, que após ser atingido ou o escudo libertado pelo jogador liberta todos os projeteis que absorvei para onde estivermos a apontar. Num confronto normal ambos os jogadores vão tentar usar os escudos, tentando levar o jogador a ter que recarregar e libertar tudo nele nessa altura. O combate torna-se mais lento, mas bastante interessante. O mais interessante é como as jogabilidades se complementam e oferecem uma variedade bem mais que em outros jogos.

Obviamente jogos como Battlefield 4 que também têm veículos vão variando a sua jogabilidade, pois controlar um helicóptero é completamente diferente de controlar um tanque ou andar a pé, mas aqui temos duas formas de FPS, mas com comportamentos bastante diferentes. Eliminar jogadores a pé ou inimigos da IA é também bastante divertido como Titan. Correr por uma rua estreia a pisar todos os inimigos é um momento difícil de traduzir em palavras, simplesmente é um sentimento de poder fantástico que não se atinge com nenhum tanque e fez com que jogar Hawken deixa-se de parecer tão bom.Com o tempo vamos desbloqueando novo armamento, habilidades e Titans, mas este é um dos aspectos que menos gosto em Titanfall. O facto de haver algo para desbloquear é bem vindo, dá algo para que ansiar aos novos jogadores e algo para os veteranos se sentirem orgulhosos, mas cria algum desequilíbrio nos jogos.

Mesmo que o armamento que desbloqueamos não seja superior, é algo que os jogadores de baixo nível não podem usar e assim compreender. É bem mais fácil quando sabemos o que um inimigo pode fazer porque já usámos o mesmo armamento antes. Isto era resolvido se o matchmaking fosse um pouco melhor ou a progressão fosse trocada para desbloquear itens cosméticos. Titanfall é um jogo fantástico. É um FPS em que vou certamente perder muitas horas. Gostaria no entanto que a campanha fosse melhor. Existe um modo chamado campanha mas pouco mais é que algumas missões multijogador com uma ordem e alguns elementos narrativos. Para muitos jogadores  isso não é suficiente. Felizmente Titanfall mais do que compensa com o multijogador, mas pelo preço pedia-se algo para um jogador apenas.

Isto tudo é apenas um pouco de Titanfall, existe muito mais para falar e irão descobrir tudo isso quando jogarem. Existem por exemplo cartas que desbloqueamos e podemos usar apenas uma vez que nos dão acesso a itens e armamento avançado que ainda não desbloqueamos. Os cenários são variados e todos eles jogam-se de forma diferente.

 

 

Tiago Roque

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