Análise: Questrun

Não tenho nada contra a simplificação de géneros. Divekick por exemplo consegue ser um jogo de luta bastante interessante apenas com dois botões e basicamente um ataque. Mas Questrun tenta fazer o mesmo a um género que é bem mais complexo que um jogo de luta, o género RPG.

De todos os vários elementos que compõe um RPG, os criadores de Questrun acharam que o melhor era o combate e criaram um jogo baseado apenas nisso, sem quaisquer elementos narrativos ou de exploração. Funciona através de uma progressão à base de missões que podemos escolher, com mais a serem desbloqueadas à medida que vamos progredindo no jogo.

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Estas missões variam em dificuldade e duração mas resumem-se a combates por turnos em que usamos uma party de três personagens. Infelizmente, o próprio combate em Questrun não é bom. Todo o combate é automático. Existe um tempo de espera das personagens que quando acaba as faz atacar automaticamente, sem qualquer interação do jogador. A única coisa que o jogador faz realmente é trocar a posição das personagens, uma vez que cada uma ataca o inimigo imediatamente à sua frente, usar itens e habilidades.

Não existe também qualquer evolução das personagens fora das missões. Durante cada missão as personagens, que nem personagens são realmente, apenas classes, irão ganhar níveis, mas tudo é perdido na missão seguinte. O facto de não existir qualquer progresso das personagens, além de tornar o jogo pouco interessante e fazer com que não exista grande incentivo para continuar a jogar, tornam a sua dificuldade ainda mais evidente. Esta dificuldade é também completamente fora de contexto.

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Não há qualquer razão para um jogo tão simples, que se joga com apenas o rato, seja tão difícil. Quando todas as personagens morrem temos que recomeçar de novo a missão e é realmente comum todas elas morrerem. Este é um jogo que seria melhor num smartphone ou tablet, mas no PC, onde o género RPG tem tão boas opções não vejo porque razão alguém jogaria uma versão tão simples do género.

Mas o problema é realmente o combate. Para que um jogo se possa livrar de todos os bons elementos do género, deixando apenas o combate, então o combate tem que ser o seu ponto forte, mas o combate em Questrun é demasiado simples e não é de todo uma experiência de jogo interessante. Existem algumas opções estratégicas que podemos ter em conta no combate, mas tudo isso é pouco.

Tiago Roque

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