Análise: NAtURAL DOCtRINE

NAtURAL DOCtRINE é um jogo bastante interessante e bizarro mas que, sem quaisquer rodeios, falha miseravelmente em termos técnicos. A narrativa não tem qualquer aspecto único, é algo que já vimos antes e vamos ver novamente no futuro. No entanto, na jogabilidade corre riscos, trocando as mecânicas tradicionais de RPGs táticos por algo inovador, mas que nem sempre funciona.

NAtURAL DOCtRINE é um RPG tático, mas o sistema de combate é tão complexo que tem mais em comum com um jogo de puzzles do que com os restantes jogos do género. As personagens do jogador e inimigos atacam por turnos, cada unidade recebendo uma única ação por turno. No entanto, quase todas as ações, tanto aliadas como inimigas, permite que outras unidades tenham o seu turno mais cedo, ou para obter uma segunda ou mais ações.

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Por exemplo, na fila de um ataque contra um inimigo, cada personagem aliada que pode conseguir atingir o mesmo inimigo irá fazê-lo. Se o personagem não se moveu no turno atual, então eles vão gastar a sua iniciativa neste turno, participando do ataque. Mas, se o personagem já usou ações, então eles vão ser autorizados a agir novamente sem qualquer penalização para o próximo turno.

É um sistema tão confuso de jogar como de explicar. E o que é pior é que a explicação do próprio jogo do sistema de batalha é quase inútil, acabando por ser a experimentação a única forma de perceber mais ou menos o que se passa. Dominar o sistema e executar com êxito o plano, requer níveis record de paciência. O número de erros que cometemos no jogo torna impossível aproveitar as boas ideias que existem no jogo.

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Isso tudo é agravado pelas batalhas serem demasiado aborrecidas. O jogador luta em locais sombrios, tristes, e muitas vezes grandes contra inimigos idênticos com animações longas. Tudo demora demasiado tempo a acontecer e mesmo se tentarmos olhar para o cenário para passar o tempo nada acontece.

NAtURAL DOCtRINE tem alguns momentos interessantes, onde a arrogância e racismo da humanidade é abordado, mas o jogo nunca desenvolve muito mais. A narrativa toda é entregue através de conversas, quer depois da batalha ou, muito curiosamente, durante a batalha.

As personagens em NAtURAL DOCtRINE são igualmente planas. As suas motivações são exclusivamente vingança ou tédio até o inimigo principal aparecer e depois se tornar um salve-se quem poder. Ingbert é a personagem mais interessante, no entanto, os seus motivos como vilão são totalmente inexplicáveis.

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O estilo gráfico é uma reminiscência de jogos de topo. As personagens parecem com pequenos modelos pintados. Esta escolha de design curiosa, mas positivo é inteiramente compensado pela interface intrusiva que tapa quase a totalidade do ecrã. NAtURAL DOCtRINEl não é um jogo muito bonito, o que juntamente a uma paleta de cores monótona torna o jogo ainda mais aborrecido de se olhar. O que é uma decepção enorme, dada a forma como a arte tem qualidade e nos deixa a esperar por algo mais.

NAtURAL DOCtRINE, do ponto de vista do gameplay, é incrivelmente gratificante quando conseguimos fazer exatamente o que queremos e controlamos a iniciativa. Mas quando esta desaparece, quando os inimigos começam a dominar, quando temos que repetir um mapa, NAtURAL DOCtRINE torna-se tedioso e frustrante. O conceito do sistema de batalha é inteligente e original e os fãs dedicados e pacientes de RPGs táticos provavelmente irão desfrutar de uma experiência nova.

Tiago Roque

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