Análise: Metrocide

Blade Runner é um dos meus filmes favoritos. No género da ficção cientifica é complicado encontrar melhor e é realmente difícil encontrar falhas no filme. Portanto seria fácil para mim gostar de Metrocide mesmo que fosse apenas competente no resto das ideias que apresenta.

O jogador desempenha o papel de um detetive que se tornou um assassino contratado chamado TJ Trench e tem que lutar para sair de uma cidade brutal mediante a realização de missões de assassinato e tentando não ser morto ao longo do caminho. Ser morto, infelizmente, é muito fácil. Eu diria que as maiores inspirações de Metrocide são primeiro GTA e Hotline Miami e isso nota-se desde cedo.

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A dificuldade é enorme e talvez aquilo que Metrocide vai mais buscar a Hotline Miami. A morte além de ocorrer com um hit como em Hotline Miami é também permanente. Todo o progresso que fizeram desaparece de um momento para o outro. Além disso este não é um jogo rápido como Hotline Miami ou GTA que premeia o caos e irreverência, o que aumenta muito a frustração de morrer.

Logo que comecei o jogo senti que devia ter cuidado com qualquer ação. O objetivo do jogo é simples. Temos que procurar um telefone no qual temos acesso a vários contratos. Estes são os trabalhos que podemos fazer e que envolvem sempre matar alguém. Esta é a principal razão para o jogo se tornar monótono rapidamente.

A cidade está sob vigilância pesada e há muitos policias que patrulham drones. Há definitivamente uma inspiração em Grand Theft Auto mas com o foco na ação furtiva. Simplesmente correr para os contratos pode não ser o curso mais fácil, podendo o jogador optar por eliminar alguns mafiosos primeiro para adquirir melhor equipamento.

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Há até mesmo um medidor que mostra o quanto a policia nos quer apanhar, e quanto mais o jogador matar abertamente mais policias vão aparecer e começar o patrulhamento. A jogabilidade é muito repetitiva no geral, os contratos são semelhantes, mas os cidadãos simulados têm algumas características distintas.

Quanto mais o jogador cumprir contratos, mais dinheiro vai ter para adquirir melhor equipamento. As armas dão-nos mais opções quando se trata de lidar com os alvos. Seu primeiro pistola não é particularmente boa, pois tem um tempo de espera muito longo. Se a policia começar a estar muito em cima de nós podemos pagar a um hacker para nos aliviar um pouco.

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No que toca a uma narrativa podem esquecer. Não há aqui nada que pareça sequer uma história. Podemos desbloquear algumas áreas novas mas nada além disso. O progresso realmente importante que vamos fazendo com novas armas por exemplo também ajuda apenas se nos mantivermos vivos pois além de ajudar na sessão que estamos a jogar não há qualquer incentivo a gastar tempo no jogo. Estamos tão bem equipados no inicio da primeira vez que jogamos como na última.

Graficamente é um jogo muito colado à estética do primeiro GTA, sem nunca tentar ser mais moderno que isso e acaba por se prejudicar graças a essa escolha. Muitos detalhes do cenário são pobres e difíceis de interpretar, os menus são muito pobres e o ecrã quando morremos é um verdadeiro susto por ser branco quando o resto do jogo é bastante escuro. Não basta morrer e sabermos que perdemos todo o progresso ainda somos felicitados com um flash de luz que quase nos cega.

 

Tiago Roque

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