Análise: Reign of Bullets

O primeiro impacto de Reign of Bullets não é o ideal. Graficamente parece um jogo flash, não oferece qualquer informação sobre controlos ou qualquer tutorial de qualquer forma e até os seus menus são pobres. Mas depois de jogarmos um pouco começamos a ver a potencialidade deste jogo. Aquilo que que começa como mais um Shoot’em’up transforma-se no Borderlands dos Shoot’em’ups.

Sim temos que destruir horas de naves inimigas num nível sidescroll como em todos os outros jogos do género. Sim também temos que evitar milhares de balas e mísseis inimigos. Mas quando percebemos que o objetivo é equipar as armas que vamos ganhando durante os níveis o jogo transforma-se e ganha uma dimensão muito diferente. Quando acabamos pela primeira vez a estória com uma nave que realisticamente já nem devia levantar voo graças ao peso do armamento que carrega já não conseguimos largar o jogo.

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A estória do jogo é simples e ridícula. Uma personagem qualquer teve um dia mau pois uma qualquer empresa construiu uma autoestrada pela sua garagem e agora ele quer vingança, monetária, como o jogo lhe chama. Não faz qualquer sentido e não tem de ter. Razão pela qual apenas temos duas cutscenes em todo o jogo, no início e no fim.

A variedade de inimigos é razoável. O jogo está dividido em quatro mundos com vários níveis culminando num boss que nos leva para o mundo seguinte. Ao longo de cada mundo vamos vendo alguns inimigos novos que vão aparecendo nos níveis iniciais. Infelizmente não há qualquer progresso nos cenário que se repetem eternamente durante cada mundo. Os bosses não obedecem ao paradigma normal do género. Não podemos por exemplo destruir as suas armas e depois atacar o corpo. Temos que atacar o corpo enquanto ele vai mudando as suas rotinas de ataque e pouco mais.RoB-Beta-v0-2014-08-05-14-29-46-67

 

Os próprios níveis não obedecem ao paradigma normal, não existindo um inicio e fim definidos mas sim um tempo que corresponde à duração de cada nível.

O melhor aspeto de Reign of Bullets é realmente a coleção de arsenal. Durante os níveis vamos ganhando armas, como canhões, lasers, lança mísseis, mísseis teleguiados, enfim todo um arsenal temível. Cada uma destas armas pode ser melhorada com uma série de perks, como aumentar o dano, a velocidade, a precisão ou alcance por exemplo. A nave tem também que ser melhorada, sendo que a melhoria mais interessante é o aumento do limite de armas. As armas não têm localizações especificas para serem colocadas, podendo ser amontoadas pela nave, criando verdadeiras aberrações que são mais armamento do que nave.

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Isto faz com que nas dificuldades mais baixas uma nave bem artelhada faça com que o jogador nem chegue a ver inimigos no ecrã. E o jogador aparentemente pode simplesmente continuar a adicionar armas. Quando a minha nave contava já com três lança mísseis mais uns lança drones e um canhão cheguei a ter pena dos inimigos pois já não parecia sequer justo.

A jogabilidade é apenas competente. Podemos jogar com o rato ou teclado mas com o teclado não consegui sequer encontrar a tecla para disparar o que me obrigou a jogar apenas com o rato. Graficamente é como já referi. Apesar de existirem alguns pormenores bem conseguidos não deixa de parecer um jogo flash. Os cenários são pobres e repetitivos e as naves inimigas uma versão pobre de um qualquer desenho animado. Da mesma forma o som é genérico, com até o som da pausa ser exatamente igual ao do chat do Facebook. Tão semelhante que enquanto jogava o jogo me perguntaram quem estava a falar comigo.

Tiago Roque

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